20 de fevereiro de 2019

The Messenger

Não, não saiu na 3DS. É apenas um mock-up que fiz!
Desenvolvido por: Sabotage Studio
Publicado por: Devolver Digital
Director: Thierry Boulanger
Produtor: Martin Brouard
Designer(s): Thierry Boulanger, Phillippe Dionne
Artista(s): Michael Lavoie, Jean-Luc Savard, Savannah Perron
Argumentista: Thierry Boulanger
Compositor: Rainbowdragoneyes
Motor Gráfico: Unity
Plataforma(s): PC, PlayStation 4, Nintendo Switch
Lançamento: 30-08-2018 (Lançamento Mundial)
Género(s): Acção, Plataformas, Metroidvania
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Media: Suporte Digital
Funcionalidades: Instalação no disco rígido (~1GB), Compatível com comandos Dualshock4/XboxOne, DLC adicional
Estado: Não se aplica
Condição: Não se aplica
Viciómetro: Acabei-o duas vezes e mais hão-de se seguir.

(Fun fact: água quente pode por vezes congelar mais rápido do que água fria. É o chamado efeito Mpemba.)

A minha visão da capa seria isto.
A cena indie tem ganho bastante notoriedade nos últimos anos graças ao número de excelente títulos que vão sendo lançados em todas as plataformas, e que em muitos casos, conseguem ser infinitamente superiores a jogos AAA que são cada vez mais iguais uns aos outros e desprovidos de novas ideias. E creio que esta é uma tendência para continuar pois basta ver os grande e sonantes títulos que por aí andam e chegar à conclusão que são ideias recicladas com muito pouco conteúdo novo a não ser o chamariz dos "altes gráfiques" que a carneirada tanto aprecia. Bom, mas o que interessa neste momento é ter bastante atenção aos indies que vão saindo pois embora alguns sejam meh, outros tantos são de uma qualidade irrepreensível. O jogo que vos apresento hoje enquadra-se perfeitamente nessa categoria pois é sem dúvida um dos melhores jogos que tive o prazer de jogar em 2018, e tornou-se sem grande esforço num dos meus jogos favoritos de sempre. Este exemplar digital tive a sorte de o ganhar num passatempo do Destructoid, pouco tempo depois do lançamento do jogo, onde tínhamos apenas de dizer qual seria o nosso poder especial se fossemos ninjas. Cuspi assim uma frase com uma dose generosa de parvoíce e fui um o feliz contemplado.


Rumble in the ju... forest!
The Messenger é um daqueles jogos que presta tributo a tudo aquilo que gostávamos da era 8-bit mas que lá bem no fundo é uma verdadeira caixinha de surpresas. A história começa numa aldeia ninja, que é atacada pelo maléfico Demon King destruindo tudo e todos à sua passagem. Mas eis que surge o Western Hero, um suposto herói que vai salvar a aldeia do seu infortúnio mas simplesmente entrega um scroll a um dos ninjas sobreviventes e confere-lhe o título de The Messenger. O seu objectivo é um apenas: chegar ao topo da montanha e entregar o scroll. Claro que isto tem muito mais que se lhe diga e no decorrer da aventura vamos ter muitas surpresas.

Estes bichos viajam no tempo.
Optando por um estilo visual retro 8-bit, The Messenger não é refém das limitações técnicas da época proporcionando um grafismo extremamente detalhado, com uma palete de cores bastante ampla e efeitos visuais bem acima daquilo que uma máquina de 8-bit poderia fazer. Contudo não se fica por aqui pois a dada altura adopta um estilo 16-bit, ainda mais refinado e onde as coisas ganham uma nova dimensão com ainda mais efeitos e detalhe, algo que também não se cinge às limitações típicas da época. Esta mudança visual é on-the-fly e faz mesmo parte da mecânica do jogo a certo ponto. Os sprites são bastante pormenorizados, com excelente animações e surgem em todos os tamanhos e feitios, especialmente no que concerne os bosses. Efeitos como transparências e parallax scrolling são utilizados um pouco por todo o lado, conferindo um aspecto fabuloso. A performance é também muito boa sem problemas técnicos nenhuns que tivesse dado conta.

Dragon Ball ou Never Ending Story?
A música em The Messenger é algo que é impossível esquecer. Composta por Eric Brown, conhecido por Rainbowdragoneyes, é compreendida por uma selecção de faixas altamente memoráveis e que nos ficam no ouvido por muito tempo, seja na sua versão 8-bit ou posteriormente na versão 16-bit onde temos faixas mais elaboradas mas que são exactamente os mesmos temas. Os efeitos sonoros são bastante agradáveis de serem ouvidos, com imensa variedade e remetem-nos para ambas as eras com a sua sonoridade característica.

Onde está a princesa? E os Toads?
Onde The Messenger brilha, sem sombra de dúvida é na jogabilidade. O controlo é sólido e de fácil aprendizagem, com compatibilidade nativa com comandos de consola, e uma mecânica muito peculiar: Cloudstepping. Basicamente ao saltar, podemos dar um salto extra se atingirmos algo, seja um inimigo, objecto ou projéctil, no ar. Isto não é um double jump comum mas sim uma habilidade única que tem de ser aprendida e dominada para se ter sucesso ao longo do jogo. Tendo isto como base, outras habilidades e ataques podem ser descobertos ao longo da aventura sejam elas encontradas ou adquiridas numa loja que se encontra noutra dimensão, onde um guardião com um sentido de humor muito peculiar nos vendes coisas, dá conselhos e afins. Aliás, o humor neste jogo é de um nível altíssimo e certas partes vão-nos deixar de boca aberta.

Apreciando o pôr do sol...
Para adquirimos certas habilidades/upgrades temos uma unidade monetárias que dá pelo nome de Time Shards, que podemos apanhar ao derrotar inimigos ou ao partir objectos. Estas não só servem para comprar o que referi acima como também pagar a "multa" por morrermos. Sim, neste jogo quando morremos basicamente pagamos por isso pois existe uma personagem de nome Quarble que nos traz à vida a troco de um preço, andando atrás de nós a recolher os Time Shards que apanhamos. Após algum tempo vai-se embora mas creio que o mesmo acontece se não apanharmos nada após um algum tempo decorrido.

Algo me diz que devia ter trazido naftalina.
The Messenger é altamente inspirado em Ninja Gaiden tanto pela sua mecânica como pela dificuldade, embora neste jogo esta não seja fruto de respawn gratuito de inimigos ou posicionamento dos mesmos mas sim do level design e da maneira como as coisas se sucedem. É aquele género bom de difícil. O jogo também é bastante linear inicialmente, com nível atrás de nível e bosses pelo caminho até que as coisas mudam e o jogo literalmente muda de estilo passando a ser um Metroidvania, com imenso backtracking, novas áreas (até secretas), puzzles, bosses e afins. Confesso que foi uma surpresa enorme quando isto aconteceu pois não estava nada à espera de uma reviravolta não só na história mas na mecânica em si. Não somente isto mas ainda temos 45 medalhões verdes que podemos apanhar e estes por norma são obtidos em zonas bastante difíceis, com puzzles ou secções que desafiam a nossa destreza manual e habilidades ninja.

Top of the morning to you good sir!
No seu todo, The Messenger é um excelente jogo que resultou de um trabalho de muita paixão e gosto por parte da Sabotage Studio, e um dos melhores de 2018, que vai agradar a todos os que cresceram com as 8 e 16-bit, onde as mecânicas estão mais que enraizadas nessa era e tudo é surpreendentemente bom. É daqueles jogos que mais do que recomendar, exijo que o joguem se são realmente fãs deste hobby pois merece cada segundo da vossa atenção. Deste modo, temos aqui um dos maiores JOGALHÕES DE FORÇA! De sempre.

Próximo jogo: tiros, elefantes e montanhas, na PS3.

MURRALHÕES DE FORÇA: 
 

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