10 de agosto de 2017

Top 5 - FPS que envelheceram bem Vs. FPS que envelheceram mal


Hoje para ser uma coisa diferente, decidi fazer duas listas: uma para aqueles que considero serem os melhores FPS antigos que ainda hoje se conseguem jogar sem entraves (e que conseguem ser melhores do que alguns dos que se produzem actualmente) e outra para os que realmente já foram brilhantes no seu tempo mas actualmente são uma penúria para se jogar. Note-se que isto é apenas a minha opinião com base na minha experiência inicial (ou seja na altura em que os jogos foram lançados) e na minha experiência actual (isto é, jogá-los agora em 2017). E sem mais demoras vamos a isto!

FPS que envelheceram bem


Splosh! (Versão PC Brutal DooM 64)
Provavelmente esperavam o DooM original não? É claro que sim mas isso seria demasiado previsível e todos sabemos que esse ainda hoje é um excelente jogo e bastante actual se formos pelos standards do retro, indie e afins. Mas não, o original não interessa para esta lista (e até ponderei o Duke Nukem 3D mas seria igualmente óbvio). O que muito boa gente não sabe é que DooM 64 é um jogo que consegue ser ainda melhor que o original ou qualquer versão derivada dessa. Contando com níveis e sprites novos, e até uma nova arma, este jogo revelou ser uma verdadeira surpresa para quem já era fã do DooM original por não ser um mero port mas sim um novo jogo. O ambiente é completamente diferente com muito mais ênfase na tensão e terror, em parte devido ao excelente level design e à banda sonora composta pelo brilhante Aubrey Hodges mas a jogabilidade é exactamente a mesma que popularizou o género. E o bom disto tudo, é que embora fosse exclusivo de N64 estando assim bastante limitado em termos de player base, actualmente está amplamente disponível em PC com todas as melhorias a que teve direito (fruto do trabalho de fãs dedicados).


It's time to split! (Versão PS2)
Embora existam três jogos nesta série, e o segundo seja por norma o eleito dos fãs, a minha escolha recai nesta terceira aventura. Porquê? Simplesmente porque é perfeita (como o nome sugere)! Para os menos informados, este jogo foi concebido em parte por ex-membros da equipa que produziu GoldenEye na N64 e isso vê-se um pouco por todo o lado. A história é digna de uma série animada daquelas que passavam de manhã aos sábados, com viagens no tempo, várias personagens, imensas situações cómicas e muita acção, já para não referir o carisma do nosso Cortez. Não somente é uma boa história como também os níveis são bastante variados e divertidos, proporcionando uma variedade imensa de objectivos, armas e afins, coisa que transpõe para o excelente multiplayer que podia ser jogado online mas ainda pode ser jogado em splitscreen até quatro jogadores. E o melhor disto tudo é correr a 60fps durante a maioria do tempo com uma jogabilidade praticamente perfeita. Conta ainda com 150 personagens, algumas delas bem diferentes e com atributos específicos (zombie monkey ftw!), imensas armas para todos os gostos e situações, vários modos de jogo e ainda um editor de níveis para podermos dar asas à nossa imaginação (sim, fiz alguns baseados no GoldenEye). Sem dúvida um dos melhores FPS de sempre.


Welcome to the Jungle! (Versão PC Remaster)
Sendo o primeiro FPS que joguei na N64, este Turok deixou-me com uma impressão brutal que ainda hoje perdura. Embora fosse assolado pelo típico fogging que era característico da maioria dos jogos nesta consola, Turok tem qualquer coisa que ainda hoje me faz voltar a ele como se fosse 1997. Desde o grafismo bastante cuidado, aos inimigos variados, não esquecendo o potente arsenal, Turok é um jogo com uma jogabilidade excelente, pensada de propósito para aquele comando esquisito mas que resulta na perfeição. E a acção é sem dúvida frenética onde não faltam escaramuças por toda a parte, com o seu q.b. de exploração, algo que apreciei particularmente pois nesta época, FPS com grande dependência de plataformas e saltos de fé não eram nada comuns. Aliás, chego mesmo a pensar que alguém na equipa de Metroid Prime jogou muito o primeiro Turok. E aquele T-Rex foi qualquer de extraordinário naquela época. Hoje em dia é um jogo de fácil acesso, com a versão remasterizada de PC a tomar as rédeas, completa com todas as melhorias que eram necessárias ainda que a de N64 seja bastante jogável.


Fly mothef*cker, FLY! (Versão PS2)
Se tiver de escolher um jogo para a categoria de "Melhor grafismo na PS2", Black é sem dúvida o eleito. Fiquei impressionado com a qualidade visual deste jogo na altura em que saiu e ainda hoje penso que seja um jogo incrivelmente bonito e extremamente ambicioso, tendo em conta a plataforma em que se encontra. Embora já estivesse naquela fase em que os FPS começaram a ficar mais streamlined e simples, Black ainda opta por antigas convenções como por exemplo não existir health regen e termos de nos curar com medikits e health packs mas introduz outras mais actuais como o ADS nas armas, só podermos levar três armas e afins. Contudo, o melhor e realmente aquilo que o caracteriza são os cenários que podem ser destruídos com um alto nível de interactividade, algo que serviu de chamariz na época pois havia muito pouca coisa assim. E as explosões neste jogo continuam a ser algo de impressionante ainda hoje. Embora seja um jogo com um passo lento em termos de progressão (e que opta por um sistema de respawn infinito até chegarmos a determinado ponto), peca por ser muito curto algo que se repercutiu aos FPS actuais. Mas é de louvar o trabalho ambicioso da Criterion, inexperiente em FPS e conhecida pelos excelente jogos da saga Burnout.


So many colors! (Versão PSOne)
À semelhança de DooM, Quake é sem dúvida outra das sagas que em PC fez furor mas não é essa a plataforma que interessa. O Quake II ao qual me refiro é a versão de PlayStation que era algo quase impensável mas que foi concretizado para espanto de muitos. Embora se tenham feito concessões a nível de design e geometria, o importante é que este jogo é um verdadeiro milagre técnico mantendo tudo aquilo que o caracterizou em PC. Bons visuais, neste caso até melhores em algumas áreas que a versão original devido às cores e iluminação, excelente jogabilidade com vários presets adequados tanto aos comandos normais como ao Dualshock e acima de tudo bastante acção, com tempos de loading reduzidos. Melhor ainda é ter multiplayer, que provou ser bastante bom para a época proporcionando bastantes horas de diversão. Hoje em dia continua a ser um excelente jogo em qualquer uma das plataformas (mesmo na N64 que não cheguei a jogar como queria) sendo que a versão PC é sem dúvida a mais acessível e personalizável para os padrões actuais. Mas a versão de PlayStation será sempre a minha eleita.

FPS que envelheceram mal


Neste jogo tudo explode! (Versão N64)
Sim, já sei que vão dizer "sacrilégio", "pulha", "fascista", "gtfo" e afins mas o facto é que GoldenEye apesar de ser considerado um clássico, hoje em dia é um jogo obsoleto, praticamente injogável e não passa de algo que perdura nas nossas memórias e incita à nostalgia das tardes livres passadas com um grupo de amigos em frente a uma televisão minúscula dividida em quatro partes. Desafio-vos a ligarem a N64, com quatro comandos, arranjarem quatro amigos com tempo livre e fazerem uma partida. Acho que nem 10 minutos iria durar a menos que todos estivessem sedentos de uma valente dose de nostalgia. O porquê disto deve-se mesmo ao facto do jogo em si ser lento, com uma framerate que já na época era baixa (chega quase a um dígito) mas agora torna-se ainda pior devido aos nossos maus hábitos impulsionados pelo avanço da tecnologia. E a jogabilidade, apesar de boa e bem adaptada ao comando da N64, hoje em dia simplesmente não resulta apenas com um joystick algo que complica a experiência em single player mas torna as coisas ainda mais complicadas no multiplayer que era aquilo pelo qual o jogo se tornou famoso. Jogar GoldenEye em multiplayer hoje em dia é quase como uma tortura psicológica ou castigo por terem feito alguma asneira. Continua a ser um clássico, sim, mas daqueles para estarem quietos na estante ou junto aos livros de história.


Este jogo é bem cinzento. (Versão PS2)
Quando apareceu na PlayStation, Medal of Honor fez furor por várias razões. Um jogo que assentava em eventos reais da WWII (com a sua dose de liberdade criativa) com uma jogabilidade bastante boa e visuais a condizer. Seria natural a sua transição para a PS2 dentro dos mesmos parâmetros. E assim foi, Medal of Honor - Frontline, um jogo que para a sua época foi estrondoso mas que envelheceu terrivelmente mal. Começa por se notar nos visuais que ainda estavam naquela fase em que não se sabia bem o que a PS2 podia fazer. A jogabilidade então é onde o jogo sofre mais, com um controlo que embora possa ser personalizado para se assemelhar aos FPS actuais, é demasiado rígido e restritivo em termos de movimento, sem qualquer espécie de ajudas como auto aim (algo que tornava estes jogos mais acessíveis nas consolas) ou ADS. Aliás, temos apenas o tradicional zoom in que neste jogo nos prende a personagem no sítio onde estivermos e se carregarmos para os lados, ela faz uma espécie de lean, algo que não abona nada se estivermos em campo aberto. Por outro lado, o single player é bastante linear, com inimigos que não primam pela inteligência e cujas animações deixam muito a desejar (para além de ser esponjas). E como seria de esperar não há health regen nem checkpoints, sendo que estes últimos eram necessários pois há níveis grandes e frustrantes q.b.. Se tiverem de o jogar, optem pela versão remasterizada na PS3 ou o Allied Assault em PC (que é praticamente o mesmo jogo mas melhor).


Vamos cortar uns bifes! (Versão PC Remaster)
Depois de Turok, jogo que adorei e ainda hoje jogo de vez em quando, era de esperar que a sequela fosse de arromba. Para muitos foi e superou as expectativas mas para mim foi uma tremenda desilusão e actualmente acho que ficou ainda pior. A mudança começou pelo grafismo, que neste apesar de ser superior (e faz uso da expansion pack) a mim parece-me bastante inferior visto existir mais complexidade nos modelos 3D algo que se destaca mais actualmente em relação ao primeiro jogo onde a geometria era mais simples. Por outro lado, a mudança de visuais também me deixou de pé atrás. Eu gostava de Turok pelo ambiente, pela selva, templos, grutas e afins. Neste jogo isso é menos recorrente dando lugar a outros cenários que pessoalmente não apreciei. Outra coisa que achei terrível foi o level design. Embora o primeiro Turok tivesse a sua dose de back tracking, esta não era de todo necessária. Em Turok 2 isso é levado ao extremo pois temos praticamente de explorar tudo por obrigação se quisermos completar um nível e há um nível particularmente confuso em que nem o mapa é útil para navegarmos como deve ser. A jogabilidade também se tornou mais rígida dando a parecer que o nosso herói tem pesos nos pés quando é hora de correr e saltar. Contudo, a selecção de armas é interessante com algumas bastante giras de utilizar mas não surtiu o mesmo efeito que o primeiro teve na minha pessoa. Alguém também decidiu que este jogo devia ter multiplayer (sendo GoldenEye o culpado disto) mas não é grande coisa. Aliás, não é bom ao ponto de que quem fizer bunny hopping, à partida vai ganhar sempre se é que me entendem. A jogar este título, sugiro que optem pela versão remasterizada para PC, completa com as melhorias necessárias (que para mim continua a não melhorar o jogo em si).


Look, it's zee germans! (Versão PS2)
Podia referir o clássico? Podia mas seria injusto da minha parte devido a todas as limitações a que está sujeito. Daí que optei por este, devido ao salto tecnológico. Embora seja um jogo divertido, Return to Castle Wolfenstein sofreu um bocado com o teste do tempo, sobretudo a nível visual mas também em termos de jogabilidade. O jogo em si tenta várias ideias que provêm dos antigos, tanto do clássico Wolfenstein 3D, com os seus corredores da morte e acção a rodos, como também a parte de stealth, oriunda dos jogos anteriores que poucos conhecem e que nem FPS eram. Ora se resulta na parte dos tiros, a parte do stealth falha um bocado pois não é possível tirar o máximo proveito disto (coisa que nos jogos actuais conseguiram finalmente adaptar). Por outro lado, os níveis em si são bastante lineares, embora existam objectivos a serem cumpridos e vários segredos e tesouros a serem descobertos. Os inimigos não são particularmente espertos mas em dadas áreas são bastante esponjas o que pode tornar as coisas mais aborrecidas do que planeámos. Embora opte por um sistema à antiga sem health regen, podemos gravar o progresso em qualquer lado (mesmo na versão de PS2) o que torna o jogo significativamente mais fácil mas também ajuda imenso pois é um jogo bastante grande para um FPS comum. Tenho alguma pena de ter incluído este nesta lista mas factos são factos.


90% do tempo com o Marine, é assim. (Versão PC)
Tanto Alien quanto Predator são nomes sonantes no mundo da sétima arte portanto misturar os dois e fazer um jogo tem tudo para ser um estrondo. De facto tem mas não quer dizer que assim seja. No caso deste jogo, na altura em que saiu foi sem dúvida brutal, andar por aqueles corredores como um Marine a rebentar Aliens e Predators ou pegar numa dessas raças e fazer exactamente o mesmo. Mas se achei piada a isso, actualmente a história é outra. O jogo envelheceu mesmo mal, ao ponto dos níveis serem demasiado escuros, confusos e até mesmo claustrofóbicos em certos casos, fazendo com que nem sequer tenha vontade de passar do segundo. Por outro lado, jogar com Marines ou Predators é quase a mesma coisa pois as únicas habilidades do Predator que são utilizadas são os modos de visão não existindo nada que tire partido da sua agilidade (algo que o AvP de 2010 felizmente colmatou). E jogar com o Alien, apesar de nos proporcionar movimento por toda a parte, torna-nos num alvo fácil a abater considerando também que somos demasiado fracos. O forte ainda assim é o multiplayer mas existe jogos antigos melhores nesse campo (aliás, um deles está na outra lista acima). Hoje em dia é um jogo de fácil acesso, com a versão Classic 2000 do GOG disponível (e que já esteve gratuita por várias vezes).

E é isto! A minha lista pessoal de FPS que são velhotes mas todos cheios de genica e muita diversão para oferecer e os outros, que quase precisam de andarilho ou cadeira de rodas para se movimentarem.

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