21 de setembro de 2018

Shovel Knight

Tem autocolante mas não faz mal.
Desenvolvido por: Yacht Club Games
Publicado por: Yacht Club Games
Director: Sean Velasco
Designer: Sean Velasco
Artista(s): Erin Pellon, Nick Wozniak
Compositor(es): Jake Kaufman, Manami Matsumae
Plataforma(s): Nintendo 3DS, Nintendo WiiU, PlayStation 4, XboxOne, PC e muitas outras
Lançamento: 26-05-2014 (EUA), 05-11-2014 (EU), 30-05-2016 (JP) (3DS e WiiU)
Género(s): Acção, Plataformas
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Funcionalidades: Gravação de progresso no cartão de jogo, Compatível com modo 3D, Compatível com StreetPass, DLC adicional
Estado: Completo
Condição: Impecável
Viciómetro: Acabei-o várias vezes incluindo as diferentes campanhas.

(Parece que o bom tempo continua.)

Tudo o que ali diz é verdade!
Hoje em dia se tivermos uma ideia para um projecto, por mais descabida que seja, temos sempre a possibilidade de começar um Kickstarter para nos financiarem a mesma. E isto aplica-se a praticamente tudo o que possam pensar. Mas bem sabemos que nem todos os projectos chegam a ir a avante, sendo que alguns chegam a receber o dinheirinho e depois põem-se ao fresco deixando os backers (os financiadores portanto) a arder. Outros tantos chegam a ser concretizados mas com resultados muito aquém do esperado (Mighty Nº9, é contigo que estamos a falar). E claro, há os casos de sucesso, muito sucesso, diria mesmo casos de brilhantismo extremo e prova de que é possível cumprir promessas se realmente formos honestos não só com quem nos apoiou mas também connosco mesmo. O jogo de hoje é a prova viva e a cores disso mesmo. Um jogo brilhante, que cumpre tudo aquilo a que se propôs provando que ainda existem pessoas dedicadas e sobretudo atentas ao que o público quer. Este meu exemplar foi adquirido numa loja online, algures entre Julho e Agosto de 2016, por cerca de 18 euros. O jogo inclui ainda a banda sonora em formato digital e um manual de instruções alusivo ao manual do Super Mario Bros. 3 da NES.


Manual, papelito e cartão de jogo.
Shovel Knight é daqueles jogos que para o descrever é difícil usar palavras que lhe façam justiça. Assim de repente só me lembro de o tentar ilustrar como uma mescla cuidadosamente seleccionada dos melhores clássicos da geração 8-bit da Nintendo, onde se tirou tudo o que estes tinham de mau ou irritante, deixando apenas aquilo que nos lembra o facto de serem clássicos. A história decorre em torno do nosso herói, cujo o nome é alusivo à arma que usa para combater os seus inimigos, e a sua demanda para salvar a sua companheira, Shield Knight da Order of No Quarter e da pérfida Enchantress, que entretanto se apoderou de tudo e todos. É com a nossa fiel pá que vamos trazer a prosperidade e paz de volta.

Há sempre tempo para ver o pôr do sol.
A grande característica de Shovel Knight começa na sua parte visual alusiva aos 8-bit da NES mas que vai um pouco mais além na sua execução. Apesar do look retro, existem aqui certos efeitos e truques visuais que a antiga consola da Nintendo não seria capaz de fazer. Mas fora isso, tudo o resto seria bem possível de ser feito, com boa programação. O certo é que graficamente este jogo é muitíssimo bom, com imensos pormenores e detalhes na pixel art que só por si é perfeita, com excelentes animações, uma palete de cores bastante agradável, paralax scrolling impecável e sem problemas de slowdown, sprite flicker ou outras maleitas do género. Não só isso, alguns dos inimigos chegam a ter proporções colossais ao ponto de terem de ser divididos em sprites mais pequenos dando a ilusão de serem um bem maior. E algo que me impressionou, coisa que até nem acontece muito, foi o efeito 3D que este jogo nos proporciona. Em certos níveis, o efeito é tão bom que reparamos em pormenores que de forma normal nos passariam ao lado devido à falta de profundidade que só o 3D nos pode oferecer.

Uns patins davam jeito por aqui.
Sonoramente, Shovel Knight tornou-se num dos meus jogos favoritos pois a banda sonora, que neste caso foi incluída em formato digital para download com esta edição física do jogo, é de uma qualidade do outro mundo. Praticamente todas as músicas me ficaram no ouvido ao ponto de as ouvir em repeat fora do jogo. O mestre por detrás deste assombroso trabalho é Jake Kaufmann, conhecido por outras excelentes bandas sonoras como é o caso da saga Shantae, Contra 4, DuckTales Remastered e tantos outros, que no caso de Shovel Knight se cingiu as limitações da NES e assim compôs as faixas, tirando também partido dos três canais adicionais do chip VRC6 (utilizado na versão japonesa de Castlevania III). Os efeitos sonoros, como seria de esperar, são também impecáveis e bastante alusivos a jogos clássicos da NES.

Os esqueletos não podiam faltar.
Shovel Knight brilha em todos os campos até agora e na jogabilidade não iria ficar para trás. O controlo do nosso herói é simples e de fácil aprendizagem, com uma panóplia de ataques e habilidades à nossa disposição, à medida que vamos avançando na história. Com a nossa pá, podemos atacar normalmente ou então usar o ataque vertical, que funciona como em DuckTales, onde não só nos permite derrotar inimigos como ser usado para saltar sobre obstáculos e abrir novos caminhos. Podemos ainda evoluir a nossa barra de vida, magia e claro, armadura para tornar a demanda mais soft lá mais para a frente. A acção está espalhada por vários níveis, todos eles a terminarem com um boss da Order of No Quarter e que é tudo representado num mapa à la Super Mario Bros. 3, onde podemos escolher o nosso próximo destino.

Este escaravelho é nosso amigo.
Contudo, no mapa temos outros locais como por exemplo cidades, onde podemos interagir com NPC's, fazer compras, aceitar algumas side quests (como coleccionar faixas de música) ou simplesmente ouvir piadas secas. Sim, o humor deste jogo é deveras peculiar neste aspecto. Existem também outros locais de interesse no mapa como por exemplo bosses opcionais, desafios e afins. Com tanta coisa boa, já nos podíamos dar por contentes com este jogo mas os seus criadores foram mais longe e decidiram lançar novas campanhas onde jogamos... com alguns dos bosses! E o melhor disto? É tudo gratuito! Basta actualizarem o jogo para a nova versão, Treasure Trove, para terem acesso ao restante conteúdo. E as campanhas extra são bastante diferentes e divertidas, com novas mecânicas e alguns níveis novos. A última está prevista para 2019, altura em que deverá ser lançada uma nova versão física do jogo com tudo incluído. Mas este tudo é como quem diz...

Este mapa é-me familiar...
Em termos de conteúdo, existem diferenças e exclusividades em cada versão. As versões Nintendo, por exemplo, são compatíveis com o amiibo do Shovel Knight para nos darem uma personagem custom. Por outro lado, na 3DS temos o efeito 3D e o ecrã táctil para navegar pelos menus mais rapidamente mas perdemos acesso ao conteúdo multiplayer co-op e versus (sendo este último lançado em 2019). Nas PlayStation's temos um boss exclusivo que se traduz no conhecido Kratos de God of War bem como cross buy (PS4, PS3 e PSVita numa só compra). Na XboxOne e PC temos provavelmente a melhor batalha de sempre contra os Battletoads, que digo-vos já que vale a compra de qualquer uma destas versões.

Seja qual for a versão do jogo que escolham, Shovel Knight é excelente seja de que forma for. É daqueles jogos que mesmo depois de acabarem vão continuar a jogar nem que seja só pelo gozo, para concluir o Challenge Mode (que é bem difícil) ou simplesmente para conseguir as Feats (trophies/achievs internos) que o jogo nos desafia a conseguir alcançar. E por tudo isto é sem sombra de dúvida um JOGALHÃO DE FORÇA!

Próximo jogo: tiros e muita carnificina na PS4.

MURRALHÕES DE FORÇA: 
 

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