19 de setembro de 2018

Final Fantasy Type-0 HD [Limited Edition]

Este tipo dá cartas...
Desenvolvido por: Square Enix Business Division 2, HexaDrive
Publicado por: Square Enix
Director: Hajime Tabata
Produtor: Hajime Tabata
Artista: Yusuke Naora
Argumentista: Hiroki Chiba
Compositor: Takeharu Ishimoto
Plataforma(s): PlayStation 4, XboxOne, PC
Lançamento: 17-03-2015 (EUA), 19-03-2015 (JP), 20-03-2015 (EU)
Género: Action Role Playing Game
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Media: Blu-Ray
Funcionalidades: Instalação obrigatória no disco rígido (26GB), Gravação de progresso no disco rígido, Compatível com função de vibração do DualShock4, HD 720p, 1080i, 1080p, Suporte Remote Play com PSVita
Estado: Completo
Condição: Impecável 
Viciómetro: Acabei-o uma vez com muitas horas de jogo. Platina atingida.

(Hoje não me apetece comentar o estado da meteorologia...) 

Elite... é como quem diz.
Durante uma certa altura da sua vida, a PlayStation 4 foi literalmente invadida por uma onda de remasters oriundos de sistemas anteriores, ao ponto de eu mesmo a considerar a consola da geração remaster pois não havia nada de novo ou de significativamente importante que justificasse a compra da mesma. Mas no meio destes remasters todos, lá foram surgindo alguns que me despertaram o interesse e a atenção que merecem. O jogo que trago até aqui hoje é possivelmente o melhor exemplo disso uma vez que era exclusivo da PSP e para piorar ainda mais as coisas, exclusivo do mercado japonês. E tratando-se de um RPG, em japonês, a probabilidade de o jogar seria perto de zero. Contudo, houve alguma alma caridosa que dedicou parte da sua vida a traduzir o jogo e lançou um patch para se poder desfrutar desta aventura em inglês. Mas quase em simultâneo, esta versão oficial do jogo em HD foi anunciada e posteriormente lançada. Este meu exemplar que se trata de ser a Limited Edition, vem num belíssimo steelbook, traz ainda uma demo do Final Fantasy XV e custou algo como 30 euros, oriundo de uma loja online, algures entre Julho e Agosto de 2015.


O bonito steelbook.
Final Fantasy Type-0 HD é mesmo isso que o nome sugere. Um remaster HD de um jogo de PSP com alguns anitos, que curiosamente nunca tinha saído da sua terra natal apesar do sucesso que a série sempre fez no ocidente. Para espanto de muitos, incluindo eu próprio, a Square Enix lá teve o bom senso de nos trazer esta aventura para que mais gente pudesse desfrutar da mesma com uma pintura nova. Ou quase nova mas já lá vamos. A trama recai sobre uma turma de estudantes denominada Class Zero, cuja função é lutar contra o Militesi Empire, que urge em conquistar todos os Crystal States da região de Orience. Obviamente há muito mais por detrás de tudo isto e o jogo é sem dúvida um dos poucos com uma trama militar bastante complexa e até violenta, onde a dada altura temos a impressão que os verdadeiros vilões não são os outros mas sim a nossa classe de estudantes. Existe também uma partilha de elementos com outros jogos da série, como por exemplo FFXIII e FFXV uma vez que fazem parte da Fabula Nova Crystallis.

E o restante conteúdo.
Sendo um remaster, Type-0 HD teve direito a um bump na resolução que passou de uns humildes 480x272 para 1920x1080, algo que se nota desde logo por diversos motivos. Um deles é a clareza de alguns cenários, com pormenores bastante melhorados e texturas novas, bem como as personagens, sobretudo as principais que têm um aspecto mais a par de outros jogos desta geração corrente. Mas pela negativa o mesmo se aplica, onde alguns cenários, sobretudo a maioria dos fundos, tenha um aspecto básico e descuidado, sem pormenores e onde realmente nem se deram ao trabalho de melhorar fosse o que fosse. O mesmo se pode dizer de algumas personagens, sobretudo NPC's que mantêm o aspecto PSP, com uma contagem de polígonos bem inferior à das principais e onde apenas melhoraram as texturas. Em certas partes do jogo isto faz bastante contraste. É de salientar que a HexaDrive apenas tratou da parte 2D do jogo, cabendo à Square tudo quanto é 3D e cinematics, que devo salientar são bastante boas, com uma nova adicionada à mistura. A acção decorre a 30 frames sem problemas que tenha dado conta mas podiam ter alcançado os 60 frames sem problemas, na minha modesta opinião.


Acho que o Tonberry não vai aceder ao pedido.
Na parte audível, Type-0 HD conta com uma excelente banda sonora, aliás tal como todos os Final Fantasy que me passaram pelo estreito, onde algumas faixas são mais memoráveis do que outras mas a qualidade é de facto bastante boa. O mesmo se pode dizer do voice-acting, que nos dá a opção de ouvir as vozes originais em japonês ou a dobragem em inglês portanto é mesmo uma questão de gosto. Tendo optado pela versão japonesa não tenho nada de negativo a apontar e o mesmo posso dizer de todos os efeitos sonoros e afins. É de salientar que a banda sonora foi remixada, arranjada e regravada pelo mesmo compositor, Takeharu Ishimoto, uma vez que a original foi feita a pensar nos limites da PSP e portanto, na PS4, exigia-se mais e melhor.

Foto para o livro de ponto.
A mecânica e jogabilidade de Type-0 HD lembra muito outro jogo que a Square nos trouxe anteriormente: Crisis Core. A acção decorre em tempo real, onde controlamos uma personagem e as restantes são controladas pela IA que oscila entre o "desenrasca-se bem" e o "são estúpidos que nem um calhau". Digo isto, pois há batalhas onde a IA vai pela sanita abaixo sem motivo aparente.  Podemos controlar qualquer uma das 14 personagens disponíveis, sendo que cada uma tem um estilo de luta diferente, sendo algumas rápidas, outras lentas, close-quarters, ranged e afins. Para além disso, durante o combate podemos trocar de personagem ou então isso simplesmente acontece se a nossa personagem principal morrer. Em certas instâncias, podemos ainda ter personagens de reserva caso a coisa corra mal à equipa inteira.

Este tipo é um verdadeiro... mofo!
Para além disto, podemos equipar o tradicional equipamento e armas bem como magia de diferentes funções, magia esta que pode ser evoluída com phantoma, algo que é deixado pelos inimigos derrotadas. Por outro lado temos ainda à nossa disposição Eidolons, que podemos invocar a troco da nossa barra de vida mas depois controlamo-los a nosso bel prazer. Estes evoluem separadamente das nossas personagens. Existem ainda duas habilidades muito úteis que são o Killsight e o Breaksight. A primeira é instakill como o nome sugere e ocorre depois de identificarmos pontos fracos nos inimigos, sendo que a segunda aplica-se a bosses e inimigos com mais do que uma barra de vida, tendo um efeito devastador nos mesmos. Em ambientes contidos, os encontros são fixos com a possibilidade de vermos os inimigos e até mesmo evitá-los em certos casos. No mapa, alguns inimigos são visíveis (por norma os grandes) e os restantes resume-se a random encounters.

Sim, podemos andar a cavalo no piupiu.
Type-0 assenta numa mecânica que utiliza o tempo, isto é, temos de obedecer a um horário para praticamente tudo. As missões de história, chegando a sua altura têm de ser feitas e não há maneira de as atrasar. Já as side quests e tudo o resto podem ser feitas durante o tempo livre, sendo que quase tudo o que façamos gasta-nos horas ou mesmo dias. Ao ter aulas para aumentar as habilidades da turma, gastamos tempo. Falar com alguém inclusive, o que achei um bocado ridículo. Basicamente temos de saber gerir bem o tempo para conseguir fazer tudo, ou quase tudo. Por outro lado, as side quests apesar de nos darem boas recompensas, apenas nos deixam aceitar uma de cada vez o que torna o jogo mais grindy do que devia. E por falar em grindy, o mesmo se aplica ao level up das personagens, que demora mais do que seria de esperar e obriga-nos a rodar a equipa e jogar com as personagens que gostamos menos. E acreditem em mim quando vos digo que devem fazer isto para não terem uma surpresa desagradável lá mais para a frente na história...

Mechs, não há como não adorá-los...
Um ponto que achei curioso e penso que se aplica bem ao jogo são algumas side quests que se resumem a uma espécie de sub jogo de estratégia onde jogamos no mapa mundo com uma personagem eleita por nós para ajudarmos as nossas tropas a libertar cidades invadidas pelo inimigo. Isto resulta em combates de estratégia para tomar pontos chave no mapa e assim conseguir invadir a cidade. Se formos triunfantes, o jogo passa para o seu modo normal e temos de libertar a cidade lutando normalmente contra as tropas que restaram e um boss. Isto é puramente opcional mas se o fizermos abrirmos partes do mapa muito mais cedo incitando assim à exploração. Se não estivermos virados para isso, mais tarde as cidade são libertadas automaticamente de acordo com a história.

Como diria o major: quantos são?!
De facto, Type-0 é um jogo único que apresenta conceitos e ideias muito boas mas cuja concretização em certas partes deixa um pouco a desejar. E nota-se isto especialmente pelo simples facto de ter sido feito para a PSP, limitando-se a si mesmo, algo que podemos ver por exemplo no design dos níveis que são todos eles bastante lineares e contidos, com uma arquitectura bastante rectangular em toda a sua extensão, salvo uma ou outra área. Mesmo as cidades parecem todas iguais sem nada que as distinga. Por outro lado, o combate apesar de ser excelente tem a sua dose de problemas que podiam ter sido corrigidos, bem como a evolução das personagens que demora bastante tempo (existe um NPC na Akademia que nos evolui 2 ou 3 níveis de uma assentada mas demora 24 horas). O multiplayer da PSP esfumou-se por completo dando lugar a um sistema de suporte (SP) em que a nossa equipa é substituída por NPC's e no final dos combates podemos usar estes SP points para comprar itens especiais. A meu ver podiam ter mantido o multiplayer neste caso.

A nossa navezita vai dar jeito.
Bom, esta análise já vai maior do que devia portanto vamos lá ao veredicto. Final Fantasy Type-0 é sem dúvida um excelente jogo e uma boa surpresa dentro da série que recomendo vivamente a todos os apreciadores do género. Mais ainda, o jogo inclui um New Game+ como mais side quests, um über boss para derrotar e ainda novos itens que nos permitem recuperar tempo perdido para assim conseguir tentar fazer tudo de tudo. E com isto eis mais um JOGALHÃO DE FORÇA!

Próximo jogo: uma verdadeira carta de amor aos clássicos dos 8-bits, na 3DS!

MURRALHÕES DE FORÇA:
 

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