25 de março de 2019

Ninja Gaiden

A excelente cover art americana.
Desenvolvido por: Tecmo
Publicado por: Tecmo
Director: Hideo Yoshizawa
Artista: Masato Kato
Argumentista: Hideo Yoshizawa
Compositor(es): Keiji Yamagishi, Ryuichi Nitta
Plataforma(s): Nintendo Entertainment System, NES Classic Mini, PC Engine, Super Nintendo
Lançamento: 09-12-1988 (JP), Março 1989 (EUA), 15-08-1991 (EU) (Versão NES)
Género: Acção, Plataformas
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Funcionalidades: Nenhumas
Outros nomes: Ninja Ryūkenden (忍者龍剣伝) (JP), Shadow Warriors (EU)
Media: Não se aplica
Estado: Não se aplica
Condição: Não se aplica
Viciómetro: Acabei-o uma vez e penso que chega.

Parte da traseira da versão americana.
Durante os anos 90 tive a sorte de ter tido um contacto enorme com imensos jogos de Game Boy, visto que era uma das consolas mais populares entre a criançada da altura. Quase todos os miúdos tinham um e aqueles que não tinham (ou porque não podiam ou já tinham uma Game Gear) não deixavam de sentir uma pontinha de inveja de ver todos os outros agarrados à pequena máquina da Nintendo e a trocar jogos uns com os outros. Num desses momentos, tive oportunidade de jogar Ninja Gaiden Shadow, um simples jogo com um ninja onde o objectivo era impedir um vilão de se apoderar do destino da humanidade tendo para isso que passar os vários níveis e bosses. Para mim, foi o jogo que me introduziu esta saga e ainda hoje é um dos meus favoritos no Game Boy ainda que infelizmente nem sequer tenha o cartucho (e é também um dos jogos mais caros, curiosamente). Fiquei apenas com o manual de instruções que me tinham emprestado também com o jogo nessa época. Mas embora este tenha sido o meu primeiro jogo da saga Ninja Gaiden, é certo que já a conhecia de ver nas revistas da especialidade e sabia que existia três jogos na NES, jogos esses que nunca tinha visto à venda por cá e muito menos os tinha jogado no hardware original. Anos mais tarde, experimentei via emulação e tive a surpresa de serem muito mais difíceis que o jogo de Game Boy (até porque esta versão é completamente diferente) ainda que divertidos. Com a chegada da NES Classic Mini pude finalmente jogar o original com calma e muita, mas muita paciência e save states pelo caminho.


Este fogo protege-nos por algum tempo.
Ninja Gaiden é conhecido pela sua dificuldade lendária e acima de tudo muito injusta que faz até o fã mais ferrenho ter ataques de fúria. Mas não deixa de ser um jogo divertido e desafiante se jogado com calma e até tirando proveito de alguns glitches para termos alguma, ainda que pouca, vantagem. Tal como em tantos jogos da época, a trama gira em torno de um ninja chamado Ryu Hayabusa, cujo pau foi morto e assim ele tem um pretexto para vingar a morte do dito. Claro que os responsáveis são um grupo nefasto cujo objectivo é conquistar o mundo com o seu poder demoníaco, metendo até a CIA ao barulho a dada altura. Obviamente para um miúdo de 11 anos nada disto interessa e apenas o nosso ninja com a sua espada e habilidades importa, num cenário onde tudo nos tenta matar a toda a hora.

Não sejas mau para a miúda, pá!
Um dos pontos altos deste clássico é sem dúvida a parte visual. O grafismo é sem dúvida um dos melhores que a NES tem para nos oferecer, onde tudo tem um aspecto fantástico, desde os pequenos sprites em movimento bem como todos os cenários bastante detalhados para um jogo de 8-bit e com bastante variedade ao longo dos diversos níveis que compõem este pacote. Destaca-se também o tamanho dos bosses, sempre maiores do que o nosso pequeno Ryu e também com pormenores bem visíveis na sua composição. Existe algum sprite flickering e até slowdown numa ou outra parte mas ainda assim, o jogo oferece uma velocidade de acção acima da média para um jogo de NES. Algo que o destaca de praticamente de todos os outros é a inclusão de cutscenes entre níveis, onde vamos poder ver e ler acerca da trama, com um estilo artístico reminiscente dos animes dos anos 80 que confere ao jogo uma identidade muito própria.

Este tipo até é fácil.
Algo que também é tido em grande consideração é a banda sonora que este jogo nos proporciona com faixas de uma qualidade impressionante e acima de tudo imensamente memoráveis, sendo que ainda hoje continuam a ser icónicas e nos levam desde logo a associar à série. Todas as músicas são sem dúvida excelentes e provam a mestria dos seus criadores com as limitações típicas da época. Os efeitos sonoros também mantém a fasquia elevada e são bastante agradáveis de se ouvir vezes sem conta pois é isso mesmo que acontece ao longo do jogo.

Estes pássaros são os maiores fdps...
Ninja Gaiden é daqueles jogos que pegamos com facilidade e rapidamente nos habituamos ao controlo preciso e combate frenético. O controlo de Ryu é intuitivo, com um botão para atacar usando a Dragon Sword e outro para os saltos, com recurso a armas secundárias que se traduzem em shurikens, windmill shurikens (uma espécie de boomerang), bolas de fogo (The Art of Fire Wheel) e um ataque que nos permite atacar ao saltar (Jump & Slash). Estas armas secundárias usam spiritual energy que pode ser recarregada ao recolher itens para o efeito. Podemos ainda recolher outros como health potions e até vidas extra. O jogo divide-se em seis actos com vinte níveis no total, onde o objectivo é chegar ao final de cada um e derrotar o boss. Ryu pode ainda agarrar-se às paredes e até escalar as que têm escadas verticais, uma mecânica que tem de ser aprendida o quanto antes para se ter sucesso nos níveis mais avançados.

Daqui para a frente é sempre a sofrer.
Mas Ninja Gaiden tem um grande problema e esse é a sua dificuldade. Inicialmente o jogo é justo mas rapidamente se torna um inferno à medida que vamos avançando muito por culpa do respawn infinito de inimigos. Grande parte destes inimigos têm posições fixas ou aparecem em determinadas áreas iniciando o seu trajecto mas se não avançarmos até ao seu spawn point, eles não param de aparecer. Podemos derrotar os que quisermos até o tempo acabar mas eles são literalmente infinitos. Isto torna o jogo demasiado frustrante, sobretudo em partes onde o posicionamento destes inimigos é feito de modo a coincidir com buracos ou outras armadilhas que resultam em instant death. Por outro lado, alguns inimigos têm padrões de ataque e movimento completamente aleatório ou movem-se em zonas onde os nossos ataques não chegam, resultando em mais momentos de frustração intensa e que nos fazem perder a vontade de querer continuar. É pena pois o jogo é bastante bom e tudo isto estraga o divertimento que poderíamos tirar do mesmo se as coisas tivesse sido feitas de outra forma. Sem a ajuda de save states só mesmo alguém muito persistente e com muito tempo em mãos consegue prevalecer acima de tudo isto.

Este tipo já não é tão fácil.
Ainda que seja um clássico da NES, Ninja Gaiden perde muito a meu ver por esta dificuldade absurda e acima de tudo injusta devido à maneira como as coisas foram programadas. Tendo sido feito de outra forma tinha tudo para ser um excelente jogo e talvez um dos meus favoritos. Deste modo é apenas um jogo que joguei tal como tantos outros e não me deixa saudades ou nostalgia. Mas claro que tal como todos os que por aqui passam, é um JOGALHÃO DE FORÇA!


MURRALHÕES DE FORÇA:
 
 

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