13 de maio de 2019

StarTropics

A capa não é de facto muito bonita.
Desenvolvido por: Nintendo R&D3, Locomotive Corporation
Publicado por: Nintendo
Director: Genyo Takeda
Designer: Makoto Wada
Compositor: Yoshio Hirai
Plataforma(s): Nintendo Entertainment System, NES Classic Mini, Wii (VC), WiiU (VC)
Lançamento: 01-12-1990 (EUA), 20-08-1992 (EU)
Género(s): Acção, Aventura
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Funcionalidades: Gravação de progresso
Media: Não se aplica
Estado: Não se aplica
Condição: Não se aplica
Viciómetro: Acabei-o uma vez.

Parte traseira da capa americana.
Durante os anos 90, o meu contacto com a NES não foi tão abrangente quanto queria pois pouco tempo depois de receber a minha, tive a sorte de receber a SNES e rapidamente voltei a meter a NES na caixa. Ainda assim tive oportunidade de explorar os jogos mais famosos aos quais tive acesso na altura. Com o passar dos anos e o surpreendente poder da emulação, experimentei praticamente todos aqueles que desde miúdo me enfeitiçaram com as suas capas e artwork apelativas mas que em muitos casos eram apenas um enorme engodo para jogos medíocres. Um dos jogos que me passou completamente ao lado foi StarTropics, um jogo cuja capa é tudo menos apelativa para além de ser bastante raro vê-lo à solta na natureza. Na altura confesso que nunca o vi sem ser em revistas da especialidade e hoje em dia também não deverá ser fácil encontrá-lo sem ter de recorrer ao eBay. Com a NES Mini, tive a oportunidade de o jogar como deve ser e assim o fiz prontamente.


Há muito terreno a explorar.
StarTropics é daqueles jogos que engana muito devido à sua capa. No fundo temos aqui um jogo muito mais profundo do que uma simples ilustração de uma ilha com umas quantas palmeiras que nada nos dizem. A história gira em torno do jovem Mike Jones que viaja até à C-Island nos mares do Sul, indo ao encontro do seu tio, o doutor Steven Jones que tem um laboratório na dita ilha. Ao chegar, o chefe da aldeia de Coralcola informa-o que o seu tio desapareceu, providenciando-lhe com um yo-yo especial para se defender dos perigos na ilha, bem como o robot do seu tio, Nav-Com que lhe permite usar um submarino. Mike tem assim em mãos uma operação de resgate para desvendar todo este mistério.

Sim, sim, já lá vamos.
Visualmente StarTropics não é um jogo particularmente bonito ou interessante. Considerando a sua data de lançamento, já existiam jogos na NES bem superiores neste campo e até o velhinho The Legend of Zelda consegue ser mais apelativo graficamente. StarTropics opta por uma vista semelhante à deste, onde controlamos Mike de uma perspectiva top down, seja durante a exploração da ilha bem como dentro das grutas onde decorre a acção. De uma forma ou outra, o detalhe é mínimo com sprites pequenos e um design simplista que vagamente nos lembra aquilo a que se propõe, como por exemplo uma aldeia ser composta por diversas cabanas. Dentro das grutas, optou-se por usar sprites de dimensões maiores, com mais detalhe e animações, tanto para Mike como para os inimigos, mas o design destas é uma vez mais simples e com pouco pormenor. Durante as conversas com alguns NPCs temos direito a vê-los sob a forma de primeira pessoa onde a arte do jogo é mostrada em todo o seu esplendor.

As grutas têm sempre disto.
A banda sonora de StarTropics é também igualmente simplista q.b., com temas bastante catchy e que ficam na memória mas que também rapidamente começam a repetir tornando a experiência um tanto monótona por vezes. Uma música pode ser muito boa mas se a ouvirmos ad eternum é certo que o nosso apreço pela mesma vai decrescer consideravelmente ao longo do tempo. Os efeitos sonoros são todos eles bastante funcionais e competentes sem nada de negativo a apontar aos mesmos.



Um dos vários bosses que vamos encontrar.
No campo da jogabilidade, StarTropics tem tanto de bom quanto de mau. Controlar Mike é feito de forma intuitiva e facilmente nos habituamos ao seu movimento mas ainda que existam somente dois botões de acção Mike não faz grande coisa com os mesmos. Durante as partes de exploração, é isso mesmo que fazemos, andamos de um lado para o outro a falar com NPCs e à procura de pistas que nos levem no caminho certo. Isto implica também procurar por segredos ou caminhos secretos que existem um pouco por todo o lado. Durante as partes que passamos nas grutas podemos combater toda uma horda de inimigos nefastos, usando o nosso yo-yo e outros itens que complementam o nosso arsenal. O problema aqui é que o movimento é muito limitado e o combate não é de todo divertido como por exemplo em The Legend of Zelda, uma vez que utiliza um sistema muito semelhante.

Não, não é o Rob mas deve ser da família.
Outro problema é que grande parte das masmorras estão atoladas de puzzles que muitas vezes resultam em instadeaths, bem como inimigos com padrões aleatórios que por norma nos matam em menos de nada. Os bosses são também motivo de frustração com alguns combates difíceis pela frente. E como o jogo só grava em certas partes, isto significa ter de repetir uma boa porção das coisas e isto não tem nada de divertido, muito antes pelo contrário. Com a NES Mini sempre se pode atenuar isto com a função save state mas ainda assim era algo que poderia ter sido evitado se tivessem pensado no design do jogo com mais afinco. Algo curioso é que o jogo original vinha com uma carta do tio de Mike que devia ser mergulhada em água para obtermos um certo código mas isso perdeu-se com estas versões digitais do jogo e o código pode ser visto na documentação incluída com a NES Mini e até online. Isto remete-me para aquela altura com a frequência do codec em Metal Gear Solid que estava na parte de trás da caixa do jogo. Bons tempos.

StarTropics não deixa de ser um jogo interessante mas tem alguns contratempos que o tornam difícil de recomendar a todos. Se são curiosos e conseguem aguentar uma boa dose de castigo, dêem uma olhada mas de outro modo, há mais jogos para serem jogados. Assim como assim, não deixa de ser um JOGALHÃO DE FORÇA!

MURRALHÕES DE FORÇA:
 
 

Sem comentários:

Publicar um comentário