8 de abril de 2019

Castlevania

Esta ilustração é épica.
Desenvolvido por: Konami
Publicado por: Konami
Director: Hitoshi Akamatsu
Produtor: Akihiko Nagata
Artista: Noriyasu Togakushi
Compositor(es): Kinuyo Yamashita, Satoe Terashima
Plataforma(s): Nintendo Entertainment System, NES Classic Mini, Famicom, Famicom Disk System, Game Boy Advance, PC
Lançamento: 01-05-1987 (EUA), 19-12-1988 (EU), 15-02-1993 (JP) (Versão NES/Famicom)
Género: Acção, Plataformas
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Funcionalidades: Nenhumas
Outros nomes: Akumajo Dracula (悪魔城ドラキュラ) (JP)
Media: Não se aplica
Estado: Não se aplica
Condição: Não se aplica
Viciómetro: Acabei-o várias vezes.

Parte traseira da capa americana.
Castlevania, essa saga que tem tanto de clássica como de intemporal compreende uma vasta série de jogos em múltiplas plataformas, que tantas horas de diversão proporcionaram a todos os fãs da mesma. Mas há jogos mais conhecidos e amados do que outros sendo que a versão NES é possivelmente a mais conhecida e que mais pessoas jogaram. A minha história com a saga, curiosamente não começou por este jogo mas sim pelo primeiro título no Game Boy (já aqui analisado), que embora seja um jogo medíocre e longe do que a versão NES tem para oferecer, continua a ter o seu merecido lugar de destaque e nostalgia até porque é também um jogo completamente diferente. Quando joguei a versão NES no hardware original, algures nos anos 90, a minha experiência não foi a melhor pois já tinha entretanto jogado Belmont's Revenge no Game Boy (também aqui analisado) e sempre considerei esse jogo superior em todos os aspectos. Alguns anos mais tarde voltei a jogar a versão PC que é virtualmente idêntica à de NES e aí sim, tirei todo o gozo que podia do jogo até me fartar. Mais recentemente foi na NES Mini que voltei a reviver a experiência e sinceramente continuo a achar que só por uma questão de nostalgia é que muita gente gosta deste jogo.


Este tipo não pagou a renda...
Já todos sabemos como se processa a saga Castlevania desde a sua primeira aparição, onde a família Belmont tem por tarefa eterna, combater as forças do mal, mais concretamente o Conde Drácula que resolve aparecer de X em X anos para aterrorizar o sítio onde o castelo se encontra. Mas como em tudo na vida, existem outras nuances por detrás de tudo isto e cada jogo conta com diferentes personagens para além das principais para manter as coisas interessantes. Curiosamente ainda que este Castlevania e os seus diversos ports sejam o "primeiro" jogo da saga não são certamente o início da história mas isso é assunto para ser debatido noutra ocasião pois timelines são sempre um caso bicudo para se analisarem.

A partir deste nível as coisas escalam.
Algo que desde logo encantou quem jogou Castlevania pela primeira vez na NES foram os gráficos. Estes são sem dúvida impressionantes para a sua época, contando com imensos pormenores e apresentando um detalhe extremamente cuidado onde cada nível tem uma atmosfera única mas que globalmente nos remete para aqueles filmes de terror clássicos como Drácula ou Frankenstein, sem esquecer outros clássicos como The Mummy. Nada foi deixado ao acaso na apresentação visual, onde a viagem pelo castelo é sem dúvida uma jornada inesquecível. Não só os cenários são muitíssimo bons bem como todos os habitantes do castelo que aparecem nas mais variadas formas e tamanhos, espalhando o terror por todo o lado, onde cada sprite tem a sua dose de detalhe e animação, com uma frame rate decente mas existindo algum slowdown ocasional e sprite flickering. O mesmo se aplica ao nosso Simon Belmont, com todos os seus detalhes e animações cuidadas.

Este boss até é bastante fácil.
A sonoridade em Castlevania é algo que perdura ao longo dos tempos devido à excelente qualidade da música que aqui nos é apresentada. Os temas são sem dúvida memoráveis e todos eles nos remetem imediatamente para os níveis onde se encontram, com particular ênfase para alguns. Posso afirmar que não há nenhuma música que goste menos do que outra e todas elas nos transmitem não só um ambiente de mistério e aventura mas também de urgência em conseguirmos concluir a nossa demanda com sucesso. E talvez por essa mesma razão, praticamente todos estes temas são aproveitados noutros jogos, com remixes ou variações no tempo, resultando assim em novas e excelentes composições. Mesmo os efeitos sonoros são todos eles bastante bons sem nenhuma instância em que se tornem aborrecidos mesmo aqueles que se fazem repetir mais vezes por força da acção.

Estas situações não costumam acabar bem.
Mas o que acima de tudo caracterizou Castlevania como um excelente jogo na NES foi sem dúvida a sua jogabilidade. Esta é de uma simplicidade extrema onde o movimento é feito com o d-pad e os botões A e B servem para saltar a atacar, respectivamente. Existem ainda armas secundárias que se traduzem em facas, boomerangs, machados e água benta, que podem ser usados ao pressionarmos cima e B em simultâneo. Estes têm efeitos diferentes bem como o seu alcance de ataque variar mas todos eles são úteis em diferentes partes da aventura. Para serem usados temos de ir coleccionando corações, que aqui servem de munição e não de vida, sendo que para restituir vida só encontrando as épicas pork chops, que tem aspecto de perna de peru, normalmente escondidas em paredes. Quem é que esconde comida em paredes? Outros itens incluem sacos de dinheiro que servem somente para aumentar a pontuação, invencibilidade temporária, uma cruz que elimina todos os inimigos e ainda upgrades para as armas secundárias. O nosso fiel chicote também pode levar dois upgrades que lhe aumentam o dano e alcance em combate.

Os piores inimigos neste jogo são estes tipos.
A mecânica em Castlevania é bastante simples e linear também. O jogo divide-se em seis blocos compostos por três níveis, onde a dificuldade vai aumentando substancialmente. No final de cada terceiro nível, por norma temos um boss para derrotar podendo haver outros antes ou mini-bosses. Mas a dificuldade no geral prende-se essencialmente com duas coisas: o movimento de Simon, especialmente durante os saltos e quando se encontra em escadas, e o próprio padrão de alguns inimigos bem como o seu posicionamento e respawn. Simon não é particularmente ágil e por vezes o seu movimento é onde vamos encontrar problemas até lhe apanharmos o jeito e isto vai-se reflectir sobretudo no salto e em certos níveis. Por outro lado, os inimigos podem parecer simples de derrotar (e são) mas o seu posicionamento no cenário e os padrões de ataque e movimento são o nosso maior inimigo pois por vezes resultam em mortes prematuras como por exemplo levar dano e cair num buraco ou dentro de água, visto Simon ter uma animação onde é sempre projectado na direcção oposta quando leva dano, sem que possamos fazer nada que previna isso. Nos níveis mais avançados, certos inimigos com padrões aleatórios, vão ser uma verdadeira dor de cabeça em conjunto com outros que precisam de levar mais dano do que é normal.

O verdadeiro corredor da morte!
Já os bosses, se soubermos o seu padrão de ataque e tivermos a arma secundária adequada (havendo munição para a usar e sobretudo se tivermos os upgrades) são verdadeiros pushovers sem darem muita luta. Excepto a Morte e o Drácula, esses são outra conversa. No geral Castlevania é um jogo divertido mas com um nível de frustração que começa a escalar rapidamente quando se chega mais ou menos a meio do jogo devido à maneira como as coisas foram concebidas. Ninguém gosta de ter uma barra de vida cheia e morrer porque caiu num buraco. Ou simplesmente porque mais à frente os inimigos nos tiram três ou quatro pontos de vida em vez de um ou dois por cada ataque. São pequenas coisas que tornam a experiência mais dolorosa do que devia ser. Curiosamente a versão japonesa na Famicom Disk System, que saiu em 1986 (a versão em cartucho só saiu anos mais tarde) tinha a possibilidade de gravar o progresso (estilo The Legend of Zelda) e um Easy Mode para os menos pacientes ou com menos tempo para gastar em videojogos. Isto tudo perdeu-se nas versões ocidentais. Outro facto curioso é que os créditos do jogo fazem paródia com nomes conhecidos de actores de filmes de terror (Christopher Bee anyone?) e até realizadores famosos, algo que também se perdeu anos mais tarde com o port de Game Boy Advance.

Castlevania é sem dúvida um clássico não só na NES mas da história dos videojogos em geral que só peca pelas pequenas coisas que referi acima. Se essas coisas tivessem sido equilibradas ou omitidas nos casos mais extremos, teria sido uma experiência muitíssimo mais agradável e hoje talvez tivesse esse jogo mais em consideração do que outros da série. Mas mesmo assim não deixa de ser um JOGALHÃO DE FORÇA!

MURRALHÕES DE FORÇA:
 

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