21 de agosto de 2011

Vagrant Story

Artwork lindíssimo.
Desenvolvido por: Square
Publicado por: Square
Director: Yasumi Matsuno
Produtor: Yasumi Matsuno
Designer: Yasumi Matsuno
Artista(s): Hiroshi Minagawa, Akihiko Yoshida
Argumentista: Yasumi Matsuno
Compositor: Hitoshi Sakimoto
Plataforma(s): PlayStation, PlayStation Network
Lançamento: 10-02-2000 (JP), 15-05-2000 (EUA), 21-06-2000 (EU)
Género: Role Playing Game
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Media: CD-ROM (650MB)
Funcionalidades: Gravação de progresso no Memory Card (3 Blocos), Compatível com Controlo Analógico, Compatível com Função de Vibração
Estado: Completo
Condição: Impecável
Viciómetro: Acabei-o duas vezes.

(Mais um dia de Verão em que não é Verão.)

Autocolantes do demónio!
Embora isto possa parecer impossível, contraditório até, o facto é que existem jogos que consideramos perfeitos. Para provar isso, com muita experiência e rigor neste campo, existe uma revista de nome Famitsu, no Japão, que conta com quatro pessoas a analisar o mesmo jogo sendo que cada uma atribui uma pontuação de 0 a 10, com base em todos os parâmetros e aspectos. Até hoje apenas 15 jogos levar o máximo de 40 pontos, alcançando assim um estatuto de perfeição pela conceituada revista. O jogo de hoje encontra-se entre esses 15 e é sem dúvida merecedor de todos os pontos que lhe derem por diversas razões que já irei abordar. Este meu exemplar, curiosamente, é daqueles jogos que não me lembro ao certo quando o comprei mas sei que foi na Fnac do Colombo, algures em 2000 tendo custado algo como cerca de 60 euros, mais cêntimo, menos cêntimo.


Manuais e disco.
Vagrant Story é mais um RPG saído da "fábrica" que conhecemos por Square, numa altura em que ainda faziam bons jogos deste género, especialmente na PlayStation que conta com um catálogo bastante vasto e rico, no que concerne a qualidade. Este título leva-nos até à cidade ficcional de Leá Monde com mais de dois milénios e cujas paredes testemunharam imensas batalhas, no reino de Valendia que se encontra em plena guerra civil. É neste ambiente que Ashley Riot, um membro dos Valendia Knights of the Peace (VKP), persegue Sydney Losstarot, líder do culto religioso conhecido por Müllenkamp. Sydney foi o autor do rapto do filho do Duque de Bardoba, Joshua e esse é um dos motivos pelos quais Ashley anda atrás dele, contando com a ajuda de Callo Merlose, membro dos VKP Inquisitors. Como se não bastasse e sem a aprovação dos VKP, Romeo Guildenstern, pertencente aos Crimson Blades, também se encontra no encalço de Sydney. Já sabemos no que isto vai dar.

Esta senhora é que sabe.
Para justificar a pontuação da Famitsu, comecemos pela parte visual. É sem dúvida um dos jogos mais bonitos e vistos que já passou pela PlayStation. Os cenários são fabulosos, claramente inspirados no sul de França em particular na cidade de Saint-Émilion, algo que podemos ver nos edifícios da cidade de Leá Monde bem como em toda a paisagem circundante, pois encontramo-nos numa ilha. Confesso que passei muito tempo a apreciar a arquitectura, tanto exterior como interior, deste jogo pois é lindíssima. Poderá não ser o jogo mais variado em termos visuais pois ora andamos pela cidade, ora andamos pelas masmorras mas ocasionalmente também vamos dar uma voltinha pela floresta. E se os cenários são excelentes, as personagens e inimigos também não se ficam nada atrás, com uns modelos tridimensionais extremamente detalhados, particularmente no caso dos inimigos, como por exemplo os Wyverns que até com dano aparecem, desde setas a arpões cravados nas escamas. Apesar da cutscene inicial do jogo ser em CG, com uma qualidade impressionante, o jogo utiliza o próprio motor gráfico para as cenas mais marcantes, com balões de texto, assim muito ao estilo de uma BD interactiva.

Onde já vimos semelhante sistema?
Continuando a justificar o seu perfect score, Vagrant Story conta com uma banda sonora épica, ao bom estilo da Square, com uma selecção de músicas memorável, desde as batalhas até ao mais simples acto de exploração de terreno. A música neste jogo é fabulosa e por si só devia ser considerada uma obra de arte. Aliás, todo o som em geral é magnífico, em particular quando nos encontramos nas catacumbas e conseguimos ouvir os ecos de algo ou alguém ao longe, bem como na cidade, onde temos sempre a sensação que anda ali alguém mesmo estando as ruas praticamente desertas. A única coisa que realmente tenho pena é não existir voice-acting de espécie alguma, mesmo nas cutscenes, daí os balões com texto. Pode ser que um dia façam uma versão actualizada ou remake e completem este pequeno aparte.

Ashley e Romeo, num dos primeiros encontros.
A jogabilidade em Vagrant Story é do mais simples que existe mas tem imensas nuances que temos de compreender para conseguir dominá-lo na totalidade. O controlo de Ashley é intuitivo pois este anda, corre, salta, escala objectos e claro, luta tanto com armas como com magia. A câmara é manual pelo que podemos girá-la a nosso belo prazer, conseguindo o melhor ângulo para a situação em questão, seja para combater ou para resolver puzzles. O jogo assenta num sistema de combate em tempo real mas com pausas, ou seja, vemos os inimigos no campo e ao aproximarmo-nos deles, carregamos num botão que abre uma esfera estilo aquilo que vimos em Parasite Eve. Aqui podemos escolher que partes do inimigo devemos atingir bem como que ataque efectuar, seja com arma ou magia. É aqui que surgem as Chain Abilities, onde temos de carregar nos botões com um timing preciso para fazer o maior número de combos e provocar o maior dano possível. Na defensiva, temos as Defensive Abilities que funcionam do mesmo modo, permitindo reduzir dano ou prevenir alterações ao estado da nossa personagem.

Este Wyvern aparenta ter fominha...
Ashley pode ainda utilizar as técnicas denominadas por Break Arts, onde parte da sua energia vital (HP) por dano agravado. Tratando-se de um RPG, vamos evoluindo não só a personagem como outros atributos. As armas e equipamento podemos fazê-lo nas Workshops, com os materiais adequados, que conseguimos ao derrotar inimigos. Alguns destes são verdadeiros desafios e só aparecem depois de terminarmos o jogo uma vez, dando-nos acesso a materiais raríssimos e armas ainda mais raras. Por outro lado as magias são obtidas através de Grimoires, que os inimigos deixam cair quando são derrotados e que ficam no nosso menu, podendo ser utilizados com os Magic Points (MP). As magias não permitem Chains. Uma das coisas mais notórias e importantes no meio disto tudo é o Risk. Basicamente é uma barra que vai acumulando pontos à medida que vamos batendo no inimigo e que afecta a concentração de Ashley. Quanto maior é o Risk, fruto de atacarmos muito com Chain Abilities ou defendermos muito com Defensive Abilities, pior fica a nossa defesa e pontaria e por consequência, mais dano levamos de qualquer ataque inimigo. Para compensar, quanto maior o Risk mais sorte temos de infligir critical hits. O jogo aposta também fortemente na resolução de puzzles para progredir, alguns deles complicados, que podemos repetir as vezes que quisermos depois de os completar, que se traduz num modo time attack chamado "Evolve, or Die!!". Se não gostarmos, podemos desligar essa opção.


Vão para muitas vezes para ver a paisagem.
Vagrant Story não é um jogo para todos. Apesar de parecer fácil, inicialmente, logo vão conhecer a parte negra do jogo que se traduz num aumento quase que instantâneo da dificuldade, podendo levar algumas pessoas ao desespero. Sim, o jogo é difícil, especialmente porque tem bosses atrás de bosses, surgindo estes quando menos esperamos. Obviamente todos têm a sua técnica e daí a esfera de combate permitir escolher onde atacar. Um Wyvern ou um Minotauro, podem parecer um desafio pelo tamanho mas um Lych consegue ser bem pior se o deixarem entoar cânticos para vos atacar com magia. Curiosamente o jogo partilha algumas coisas com outros jogos conhecidos, como por exemplo Final Fantasy XII onde existem inúmeras referências a elementos que vemos em Vagrant Story. Mas ainda que se possa pensar que Vagrant Story se passa em Ivalice, recentemente Yasumi Matsuno disse que não, a ideia nunca foi essa e as referências são apenas fanservice puro. Será que isto deita por terra a hipótese de um Vagrant Story 2? Espero bem que não!

Já me estiquei nesta exposição mas sendo um dos meus jogos favoritos de sempre, tinha de mais uma vez recordar a experiência que foi magnífica e que até hoje me faz sentir saudades de o jogar novamente. Quem não o jogou, não tem desculpa se tiver uma PSP ou uma PS3 pois o jogo está disponível na PSN. Quem jogou, sabe certamente que este é um dos melhores jogos da PlayStation e também um JOGALHÃO DE FORÇA!

Amanhã deixamos os RPG's e voltamos à acção ninja, na PS2! :)

MURRALHÕES DE FORÇA: 
 

3 comentários:

  1. Bem, tu tens quase todas as jóias da coroa da Square para a PS1, muito bem!
    Tenho esse jogo comigo, mas é apenas uma cópia que fiz algures em 2003. Agora que tenho uma PS1/2 queria ver se comprava o jogo original para o jogar, mas está difícil.

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  2. Como alguém me disse uma vez: sou um Square fag! xD Já fui mais, ultimamente só têm feito porcaria e isso dispenso. Mas sim a PS1 foi aquela consola que teve direito aos melhores de sempre.

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  3. Este é um jogo que incrivelmente ainda não consegui terminar. Ótimos gráficos e história. Tenho a versão digital da PSN pois não encontro um "físico" com um preço amigável. Clássico que a Square parece ter esquecido.

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