7 de fevereiro de 2019

Zombies

Cover art intemporal.
Desenvolvido por: LucasArts
Publicado por: Konami
Designer: Mike Ebert
Artista: Collette Michaud
Compositor: Joe McDermott
Plataforma(s): Super Nintendo, Megadrive, Virtual Console
Lançamento: Julho de 1993 (EUA), 27-01-1994 (EU)
Género: Run n' Gun
Modos de jogo: Modo história para um ou dois jogadores
Media: Cartucho de 16-megabit
Funcionalidades: Sistema de passwords para manter o progresso
Outros nomes: Zombies Ate My Neighbors (EUA)
Estado: Completo
Condição: Boa, algumas marcas de utilização na caixa
Viciómetro: Acabei-o duas ou três vezes. É um jogo bem difícil.

(Fun fact: os sapos têm orelhas, apenas não as conseguimos ver.)

Tantas questões...
Terror. Um género apreciado por alguns, detestado por tantos outros mas que quando bem feito tem resultados bastante satisfatórios seja a provocar o desejado resultado de assustar e incutir medo ou simplesmente surpreender pela sua originalidade e imprevisibilidade, coisa que digo já ser bastante difícil. Confesso neste género é raro assustar-me e muito menos ficar com medo, coisa que quando era miúdo acontecia pois ainda não estava "anestesiado". Foram precisos muitos filmes para que tal acontecesse. E quanto aos jogos? Bom, um ou outro conseguiram ter o elemento surpresa e ainda dei um pulo mas também é coisa que é rara. Contudo, existem aqueles que simplesmente se baseiam nas convenções do terror contemporâneo e levam a coisa para a paródia. O jogo que apresento aqui hoje é um bom exemplo disso, tendo jogado o mesmo durante imenso tempo durante a adolescência mas sempre emprestado por um amigo. Foi preciso chegar a 2016, algures entre Setembro e Outubro para finalmente ter um exemplar completo que adquiri a um particular por 20 euros.


Manual e cartucho.
Zombies, também conhecido por Zombies Ate My Neighbors nos EUA, é um jogo que tem como base grande parte dos filmes de terror que compreendem as décadas de 50 a 80, onde provavelmente se produziram os melhores títulos dentro do género. Melhores é como quem diz, depende tudo do ponto de vista de cada um e dos seus gostos mas há bons filmes neste segmento. A história de Zombies envolve dois jovens, Zeke e Julie cujo objectivo é sobreviver a esta ameaça zombie que escalou de forma considerável, levando-os a combater as hordas de mortos-vivos enquanto tentam resgatar o máximo de pessoas que conseguirem. Mas isto não fica por aqui, porque com os zombies, vieram todas as outras monstruosidades como vampiros, lobisomens, bonecos possuídos, serial killers, alienígenas e até... bebés gigantes! Este jogo tem literalmente tudo. Sim, tinha que ter aranhas gigantes também (para não referir minhocas e formigas) para ser um excelente jogo. O culpado disto tudo? Supostamente um cientista maluco chamado Dr. Tongue, como não podia deixar de ser.

É à escolha do freguês!
Visualmente, Zombies tem aquele charme clássico dos jogos da Konami da era 16-bit, embora não tivesse sido programado por eles mas sim pelos mestres da LucasArts, algo que se traduz num grafismo bastante colorido, com excelente animação no geral, boa utilização de efeitos visuais e palete de cores e impecável fluidez durante toda a acção. Numa clara alusão aos filmes de terror, temos imensos locais onde a variedade cénica é mais do que muita e podemos ver desde o típico bairro nos subúrbios até a castelos medievais, sem esquecer os jardins labirínticos, um deserto, pirâmides e até centros comerciais. A variedade de inimigos é também imensa, com alguns bem pequenos e outros bem enormes, como é o caso do bebé gigante e do ovni dos marcianos, algo que contrasta bastante com tudo o resto dadas as suas dimensões. E o jogo aguenta-se bem em termos de performance quando estes estão em cena, visto que até se movem bastante rápido (demasiado até).

Estes trampolins são bem úteis.
No campo sonoro, Zombies conta com uma banda sonora bastante bem conseguida que mistura temas divertidos com um pouco da atmosfera que se pretende, resultando assim numa mistura interessante. Algumas faixas puxam mais ao terror outras nem tanto mas no geral funciona bem e sobretudo ficam na memória de quem joga. Só peca por cair um pouco na repetição pois há muitos mais níveis do que faixas e assim são repetidas diversas vezes mas quando a qualidade é tão boa, não nos podemos queixar. Os efeitos sonoros são bastante bons no geral, com excelente diversidade de sons para todas as criaturas e ocasiões.

Estes tipos conseguem ser bem chatos.
Zombies é um jogo brilhante do que concerne à sua jogabilidade pois é de uma simplicidade extrema. Basicamente Zeke e Julie são iguais, pelo que a escolha entre um e outro é apenas uma questão de gosto. O controlo é de fácil habituação, podendo mover-se a personagens em todas as direcções e utilizando um poderoso arsenal de armas e itens contra as hostes inimigas. Inicialmente apenas temos a nossa bisnaga de água benta mas rapidamente podemos apanhar toda uma panóplia de armas e itens que vão desde latas de refrigerante, talheres, cortadores de relva, crucifixos até bazookas e outras tantas. Os itens também têm a sua dose de exuberância, sendo que alguns nos curam como os medkits e poções vermelhas mas outros têm efeitos completamente absurdos, como nos matar instantaneamente, dar invencibilidade a troco de não podermos atacar ou simplesmente nos transformar numa besta enorme com um poder imenso que até dá para arrombar portas e paredes.

Escolheram um mau dia para vir aos saldos.
Existem 55 níveis a explorar, sendo que alguns deles são secretos onde podemos encontrar boas recompensas. O objectivo em cada um deles é tentar apanhar um certo número de sobreviventes de modo a transitar para o próximo. Se deixarmos que sejam mortos é game over certinho. Para ajudar temos um mapa que podemos ligar e desligar, dando-nos pontos onde se encontram as pessoas/animais em apuros. Embora o layout dos níveis seja sempre o mesmo, podemos abrir caminho de diversas formas. Com chaves, para abrir portas fechadas (e até secretas que usam chaves especiais) ou simplesmente com força bruta, seja à bazookada ou ao murro se tivermos uma poção que nos transforma em besta. E podemos fazer o mesmo com paredes, sebes e até cercas, abrindo assim caminhos alternativos. Por outro lado, o posicionamento dos itens e armas é sempre aleatório, podendo sair algo bom logo no primeiro nível ou simplesmente encontrar um monstro no lugar do item e perdermos energia.

Como besta, vale tudo!
Zombies é sem dúvida um jogo bastante difícil, pois as coisas rapidamente escalam logo a partir dos primeiros 10 níveis, pelo que podemos sempre optar por jogar com um amigo ainda que isso não facilite a tarefa. Para ajudar, temos passwords de 4 em 4 níveis senão estaríamos perante um desafio quase impossível. Os níveis que têm bosses são os piores pois estes são grandes, demasiado rápidos para o tamanho que têm e demoram imenso a derrotar, mesmo com as melhores armas e itens. O bebé gigante é bem capaz de vos provocar ataques de fúria pois o seu padrão de movimento é completamente aleatório. E há níveis onde basicamente temos sempre alguém a perseguir-nos, seja um maníaco de moto-serra em punho ou minhocas e formigas gigantes, o que torna as coisas mais frenéticas. A título de curiosidade, o jogo sofreu alguma censura na Europa, onde alguns sprites foram alterados e até o título de um nível, algo comum naquela época.

Isto irá acontecer muitas vezes.
Sem me querer alongar mais, Zombies é sem dúvida um clássico da era 16-bit que conta com aquele humor característico da LucasArts (existe até uma alusão a um jogo deles num dos níveis) e aquela qualidade a que a Konami nos habituou. Volto a repetir que é um jogo bastante difícil mas não se deixam amedrontar por isso pois têm aqui um verdadeiro JOGALHÃO DE FORÇA!

Próximo jogo: uma espécie de demo na DS.



MURRALHÕES DE FORÇA: 
 

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