27 de fevereiro de 2019

Resident Evil 2

Ambas as capas.
Desenvolvido por: Capcom R&D Division 1
Publicado por: Capcom
Director(es): Kazunori Kadoi, Yasuhiro Anpo
Produtor(es): Yoshiaki Hirabayashi, Tsuyoshi Kanda
Designer: Hidehiro Goda
Artista(s): Gez Fry, Satoshi Takamatsu
Compositor(es): Shusaku Uchiyama, Zhenlan Kang
Motor gráfico: RE Engine
Plataforma(s): PlayStation 4, Xbox One, PC
Lançamento: 25-01-2019 (Lançamento Mundial)
Género: Survival Horror
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Media: Blu-Ray
Funcionalidades: Instalação obrigatória no disco rígido (24GB), Gravação de progresso no disco rígido, Compatível com função de vibração do DualShock4, HD 720p, 1080i, 1080p, Suporte Remote Play com PSVita, DLC adicional, PS4 Pro Enhanced
Outros nomes: BioHazard RE:2 (JP)
Estado: Completo
Condição: Impecável 
Viciómetro: Acabei-o cinco vezes até agora, com cerca de 30 horas de jogo acumuladas mas ainda estou de volta dele.

(Fun fact: o brinquedo mais velho do mundo é um simples pau.)

No fugly stickers.
Hoje em dia é comum ouvir-se a palavra remake um pouco por todo o lado. Seja em filmes, séries e até jogos, os remakes são por vezes uma maneira de se contar novamente uma história com a perspectiva que inicialmente se idealizou e por diversos motivos, acima de tudo técnicos e tecnológicos, não foi possível.  E há jogos que realmente precisam de remakes para brilharem em toda a sua plenitude mas isso nem sempre torna os originais obsoletos pois o seu charme antigo nunca se irá perder e a longo prazo vai ser aquilo que o define e distingue do facelift. A saga Resident Evil foi alvo disso há uns anos, com um dos melhores remakes de sempre na minha opinião, que não só melhorou tudo aquilo que o original tinha bem como expandiu alguns elementos de história. Eis que chega agora a vez do segundo jogo. Este exemplar que se trata da Lenticular Edition, é somente a versão normal com uma sleeve lenticular tendo custado cerca de 45 euros, oriundo de uma loja online pouco depois do lançamento em Janeiro de 2019.


Inlay foleiro e disco.
Resident Evil 2 é daqueles jogos que dispensa apresentações. É considerado o melhor da série e uma das melhores sequelas de sempre que expandiu o original em tudo, proporcionando uma experiência ímpar e com um replay value imenso devido a ter dois protagonistas, dois CDs e portanto, duas campanhas a percorrer. E de facto a sua fama é justificada e a meu ver é sem dúvida um clássico magnífico. E quanto ao remake? Já lá vamos. A história... bom, para quem é leitor assíduo parto do principio que tenha jogado o original e saiba a história mas podendo existir leitores mais jovens passo a resumir. As coisas começam com a chegada de Leon S. Kennedy e Claire Redfield a Raccoon City, onde o primeiro iria iniciar funções como agente da autoridade e o segundo iria ao encontro do seu irmão, ou pelo menos tentar saber do seu paradeiro. Mas ao chegarem, deparam-se com um cenário bastante aterrador onde um vírus tomou as rédeas do destino desta outrora pacata cidade. Cabe-nos a tarefa de escapar com vida deste pesadelo.

Bom destino de férias.
Fazendo uso do RE Engine que teve a sua estreia em Resident Evil VII, os visuais de RE2 são deveras espantosos, deixando qualquer um impressionado com a qualidade e fidelidade visual que aqui nos é apresentada. As personagens são bastante realistas, tendo sido utilizada tecnologia para esse efeito, algo que hoje é comum mas que ainda assim consegue causar algum impacto em certos jogos. As animações faciais e de cabelos são impecáveis, com expressões realistas e convincentes, algo que se nota particularmente durante as interacções entre as personagens. Não só isto mas as animações dos zombies são as melhores que vi até hoje, onde a imprevisibilidade dos mesmos é fruto destas e os mesmos podem até interagir com o cenário quando nos tentam perseguir. Os cenários são espantosos, com um redesign das áreas originais e tentando expandir as mesmas com locais novos, onde a iluminação dinâmica tem um papel fundamental na forma como as coisas decorrem. A qualidade das texturas é também soberba, em particular no que concerne às monstruosidades que vamos defrontar e que podemos ver o quão orgânicas são se chegarmos perto delas. A performance do jogo oscila entre os 40 e 60 frames na versão base da PS4, não tendo problemas nenhuns que desse conta.

Leon... seu maroto!
A sonoridade em RE2 é tema de debate pois se bem se lembram, o jogo original contava com uma memorável banda sonora que ainda hoje se adequa ao género. Neste remake basicamente optou-se por som ambiente em praticamente todos os locais, algo que transmite uma atmosfera de tensão sem precedentes, fazendo excelente utilização de diversos efeitos sonoros mas que deixa sempre aquele sentimento que falta alguma coisa. E de facto falta... falta uma banda sonora. Mas existem algumas faixas que são utilizadas nos momentos de mais tensão, nomeadamente nas batalhas contra bosses e quando o Mr. X aparece. Estas parecem ser inspiradas nas originais mas na minha opinião acho que nem sequer chegam perto da sonoridade dessas. Podemos sempre optar por ouvir a banda sonora original se tivermos adquirido a Deluxe Edition ou comprado à parte o DLC da mesma. Podiam ter sido simpáticos e oferecer esta como conteúdo secreto ao terminar o jogo, visto que deram DLC adicional de borla mas enfim. O som em geral é excelente e tem um impacto brutal no modo como as coisas de podem desenrolar pois certos inimigos reagem ao nosso som e movimento portanto é avançar com cautela. Curiosamente, este jogo tira proveito do comando da PS4 sendo que alguns sons saem pelo speaker do mesmo, nomeadamente quando abrimos uma fechadura.

Especialidade da casa: linguado.
Sendo um remake de um grande clássico, as expectativas eram elevadas para este mas as boas notícias é que conseguiu aquilo que prometeu. Bom, de certo modo. Longe vão os tempos dos ângulos de câmara fixos e os tank controls pois agora tudo se resume a uma perspective third person com controlo total sob a câmara. O controlo é também bastante sólido e de simples manuseamento, com acesso às nossas armas, itens e afins. Contudo achei que ambas as personagens me parece um pouco lentas quando se trata de correr e os inimigos são quase todos mais rápidos do que nós, sobretudo os bosses. Mesmo com estas mudanças, o jogo continua mais do que nunca a ser um survival horror, onde temos de poupar toda a munição que encontremos, escolher bem os caminhos a seguir e batalhas a enfrentar e claro, resolver puzzles para ir desbravando terreno. Tudo isto foi ligeiramente alterado, com puzzles novos e outros tantos omitidos, algo de esperar quando se trata de um remake.

Mr. Chato como o caraças!
Resident Evil 2 consegue ser novamente assustador, com bastantes momentos de tensão, sobretudo agora que os zombies são uma verdadeira ameaça, mais do que qualquer outro inimigo. Aparecem em quantidade, são incrivelmente resistentes podendo morrer com um headshot ou levarem com um clip inteiro e continuarem a mexer. Daí que a melhor estratégia é tentar atingir os membros, visto que os podemos desmembrar por completo e assim evitar o pior. Este remake introduz também novos elementos como por exemplo podermos barricar janelas com tábuas para impedir que mais zombies entrem na estação, bem como usar armas de recurso como facas e granadas (explosivas e flashbangs), algo que vem do primeiro remake. Também se introduziu uma mecânica de Resident Evil 3 que nos permite combinar diferentes tipos de pólvora para obter munição extra. Contudo, estas podem ser utilizadas normalmente em combate, tendo a sua utilidade em diversas situações embora as facas se partam com a utilização excessiva. As armas que temos à nossa disposição podem ser modificadas com upgrades que vamos encontrando, bem como o nosso inventário pode ser expandido com bolsas. Ah, e os tradicionais itens de cura não podiam faltar. Podemos ainda escolher a dificuldade entre Assisted, onde a vida regenera até certo ponto e os inimigos são mais fáceis; Standard que é o que o nome sugere e Hardcore, onde os inimigos são mais agressivos, infligem mais dano e só podemos gravar utilizando Ink Ribbons e sem autosave que nos valha.

Ele está só a fazer ó-ó.
Embora tudo pareça excelente neste remake, o facto é que nem tudo é assim tão bom. Um dos principais motivos prende-se com o Mr. X. Este só aparecia no jogo original, no cenário B, algo que apanhava todos os jogadores de surpresa pois no cenário A ele nem sequer é mencionado. No remake ele aparece nos dois, causando uma impressão enorme e mantendo um clima de tensão constante ao longo do jogo. Porém, isto inicialmente é muito giro e uma ideia de génio mas rapidamente se torna num empecilho, sobretudo quando estamos a tentar ir de um ponto ao outro ou a resolver um puzzle e o tipo aparece de surpresa. Ele reage ao som portanto se ouvirem passos, andem em vez de correr e pode ser que ele se vá embora. A história embora seja a mesma, teve alterações subtis na maneira como se desenrola. Há personagens que nunca interagem umas com as outras, têm destinos diferentes ou simplesmente para encher chouriços. É o que senti com a Ada e a Sherry, nas partes em que jogamos com elas, onde as coisas são diferentes do original, sobretudo com Sherry que não vou spoilar. Achei um tanto desnecessário pois nenhum destes segmentos contribui para o de Leon ou Claire, visto que os itens que recolhemos não lhes são entregues.

Olá amiguinho Bambi!
Outro ponto que achei inferior é o facto de se terem omitido alguns locais como por exemplo a fábrica antes do laboratório, à saída dos esgotos e um ou outro inimigo como por exemplo as Ivy que agora são Ivy Zombies e são bem mais chatos. O cenário A e B também não são a diferença enorme que eram no original onde visitávamos novas zonas e podíamos apanhar outras armas. Neste remake, mudaram-se apenas as localizações de alguns itens para a resolução de puzzles e o cenário B até é mais curto, não mostrando nada de novo a não ser o boss final e o final completo. O sistema de zapping do original, onde as nossas decisões em apanhar certos itens no cenário A tinha influência no B, desapareceu por completo. Tudo isto me leva a crer que o jogo era ara ter somente uma campanha mas depois lembraram-se de tentar fazer as coisas como o original e deu nisto. Em termos de conteúdo desbloqueável temos armas com munição infinita, que dependem do nosso rank final (que implica acabar o jogo rapidamente, em hardcore para as melhores armas e com apenas 3 saves manuais), o 4th Survivor e o Tofu Survivor. Estes dois modos são tão ou mais difíceis do que aquilo que se lembram do original mas são um bónus bem vindo. O DLC adicional gratuito é parecido em termos de mecânica, um nadinha de nada menos difícil e tem quatro cenários "what if" para percorrermos com diferentes personagens da história principal.

Este precisa de ir ao dentista...
Resident Evil 2 é sem dúvida um excelente remake e acertou quase em tudo aquilo a que se propôs mas no fundo achei que o jogo me pareceu ligeiramente mais curto do que o original (sobretudo a recta final desde que chegamos ao laboratório) e sem o mesmo replay value dado que ambos os cenários são virtualmente idênticos. Se são fãs da saga não irão ficar desiludidos com o que aqui está e se não são, é uma boa altura para experimentarem o horror que aconteceu em Raccoon City e fazer ver à Capcom que queremos um remake de RE3. Acho que isso eles já perceberam. E com isto, temos então aqui então mais um enorme JOGALHÃO DE FORÇA!

Próximo jogo: um surpreendente Action RPG na 3DS.

MURRALHÕES DE FORÇA: 
 

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