17 de fevereiro de 2019

Headhunter

I'm so edgy...
Desenvolvido por: Amuze
Publicado por: Sega (EU), Acclaim Entertainment (EUA)
Director: John Kroknes
Produtor: John Kroknes, Stefan Holmqvist
Designer: Peter Johansson
Artista: Johan Lindh
Argumentista: Philip Lawrence
Compositor: Richard Jacques
Plataforma(s): PlayStation 2, Dreamcast
Lançamento: 16-11-2001 (Dreamcast EU), 22-30-2002 (EU), 09-05-2002 (EUA) (PlayStation 2)
Género(s): Acção, Aventura
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Media: DVD-ROM (4.7GB)
Funcionalidades: Gravação de progresso no Memory Card (320KB mínimo), Compatível com controlo analógico: todos os botões, Compatível com Função de Vibração.
Estado: Completo
Condição: Boa
Viciómetro: Acabei-o uma vez e chega.

(Fun fact: os limões contém mais açúcar que os morangos.)

Este não tinha autocolantes.
Dreamcast. A última consola da Sega que apesar de ter tido uma legião de seguidores e excelentes jogos, teve um ciclo de vida curto e mal aproveitado pois o potencial era imenso. Mas erros por parte da Sega e a concorrência feroz que se avizinhava, fez com que este gigante caísse para nunca mais se levantar. Pelo caminho ficaram muitos jogos, alguns deles bem memoráveis e óptimas conversões de arcade que ainda hoje são recordadas. Claro que para não perder tudo, a Sega decidiu lançar alguns dos seus títulos mais produtivos na PlayStation 2, ainda que a meu ver, as versões originais continuem a ser melhores. O jogo que apresento aqui hoje é um bom exemplo disso, pois podia ser um port melhorado mas em vez disso temos algo um pouco feito em cima do joelho, havendo falta de melhor expressão. Este exemplar chegou à colecção a 23 de Novembro de 2018, por 4.95€, oriundo do sítio habitual, a Play N' Play. Compensa guardar a papelada para me lembrar das datas.


Manual e disco.
Headhunter é daqueles jogos que provocou um pequeno rebuliço na altura em que foi lançado. Era um projecto ambicioso para o seu tempo que procurou misturar diversos géneros e resultar assim numa mescla interessante com história a condizer. A Eurogamer considerou este jogo superior em história e ambiente a Metal Gear Solid, algo que devo desde já dizer ser anedótico pois o reviewer ou foi pago, ou estava sob o efeito de algum estupefaciente. Bom, mas já esmiuçamos isso. Num futuro distópico onde os criminosos pagam com os seus órgãos os crimes que cometem, sendo obrigados a lutar em arenas prisionais por isso, Jack Wade começa a sua demanda a tentar escapar de um laboratório. Sem sucesso, evidentemente. Ao acordar numa cama de hospital e a sofrer de amnésia, Jack tem agora de recuperar a sua licença de Headhunter e tentar resolver o crime que envolve o assassinato de Christopher Stern, fundador da ACN (Anti Crime Network) que regula todo este sistema. Até aqui, enredo de filme de domingo à tarde. E diziam ser melhor que Metal Gear...

Este tipo é um idiota! Despeçam-no!
Visualmente, Headhunter não é mau de todo... para jogo de Dreamcast. Como jogo de PS2, confesso que esperava algo melhorado, pelo menos com melhores texturas ou modelos mais detalhados e animações melhoradas. Mas não, a coisa é praticamente idêntica ao original. Certos locais e personagens estão bastante bons considerando o hardware, com escolhas interessante de design e até ângulos de câmara fixos nos interiores de edifícios, conferindo um certo mistério a tudo. Noutros locais, opta-se pela habitual câmara na terceira pessoa o que também resulta com exactidão. Alguma parte do nosso tempo é passada em cima da nossa mota a ir do ponto A ao ponto B, numa pequena cidade que pouco ou nada tem para ver ou explorar. Nem sequer é interessante de apreciar pois não há nada que sobressaia visualmente. A não ser o trânsito, claro, composto por modelos de automóveis bastante feios e que repetem vezes sem conta. As cutscenes misturam cenas live-action sob a forma de um noticiário com dois actores que se esforçam demasiado e outras tantas com o motor de jogo para as partes de diálogo e história.

O homem não se lembra de nada, pah!
A banda sonora foi algo que detestei neste jogo pois tenta à força toda replicar partes de Metal Gear Solid sem sucesso. E algumas das faixas nem sequer me parecem passíveis de serem utilizadas em determinadas partes do jogo. Uma delas é durante as nossas viagens de mota onde a música nem sequer se adequa à acção que vivemos nesse momento. No geral, é rara a parte onde a música faz o seu trabalho bem feito e consegue proporcionar uma boa atmosfera que nos mantenha imersos na acção. Quanto ao voice-acting, as coisas oscilam entre o normal onde as performances são aceitáveis e o corny, que se faz sentir e bem nos segmentos de notícias, especialmente o apresentador que como referi esforça-se demais por ter piada ou ser sério. Sinceramente não compreendi o que estava a tentar fazer. O som no geral é competente, com tudo aquilo a que temos direito no jogo deste género e pequenos pormenores que conferem mais realismo em certas zonas.

Bem vindos à frustração sob rodas!
Headhunter é daqueles jogos que não tendo identidade definida, apoiou-se nos outros que fizeram sucesso dentro dos seus géneros, procurando retirar um bocadinho de cada um e misturando assim as coisas para conseguir proporcionar a sua própria experiência. Isto funciona, de certo modo. O jogo opta por ser uma mistura de Resident Evil com Metal Gear Solid e isso é bem visível na sua extensão. Temos partes de stealth e mistério, partes de combate onde podemos usar o meio envolvente para nos protegermos e atacarmos com o nosso pequeno arsenal de armas e gadgets, usar combate corpo a corpo e claro, resolver uma panóplia de puzzles que até envolvem medalhões que abrem portas. Coincidência? Nah! Ah, e os bosses oscilam entre os dois jogos referidos acima, com especial tendência para ser full on Resident Evil na recta final.

Onde está Solid Snake?
Contudo, isto até pode parecer bem mas o jogo conta com problemas que podiam ter sido evitados. Por um lado, para podermos aceitar missões temos de tirar (novamente pelo que se percebe da história) a nossa licença de Headhunter. Isto significa passar uma data de testes em realidade virtual (mais uma vez, parece as VR Missions de MGS) que vão desde conduzir a mota por uma série de checkpoints, passar por inimigos sem ser visto e limpar salas cheias deles. A experiência é entediante como tudo, pois vamos ter de fazer isto pelo menos umas quatro vezes se bem me lembro e cada vez fica mais difícil. Por outro lado... para conseguir fazer o teste temos de ter skill points que só se conseguem ao andar de mota pela cidade a velocidades loucas. Até aqui tudo bem se o controlo da mota não fosse horrível e cada vez que batemos perdemos os pontos praticamente todos! O que raio estavam os devs a fumar quando se lembraram disto?! Era desnecessário e o jogo teria sido melhor sem esta mecânica estúpida e supérflua.

Boom! La vai bomba!
E com tudo isto quase me esquecia de referir a parte da jogabilidade que também tem o seu quê de problemático. O controlo até é decente, com acesso a diversas armas e gadgets, podendo também serem utilizadas outras tácticas em combate como já referi acima mas a câmara, por vezes, vai ser o nosso maior inimigo, tudo isto porque não se utiliza o segundo joystick para o efeito. Na Dreamcast eu compreendo mas na PS2 não há desculpa para isto ser assim.

Headhunter podia ter sido muito bom, excelente até pois mistura duas da séries que mais gosto e até o faz com alguma mestria mas os problemas que contém por decisões idiotas fazem isso cair por terra e a minha experiência com o jogo foi mediana na melhor das hipóteses. Mas encorajo-vos a experimentarem, pode ser que até vos agrade. Assim temos aqui mais um JOGALHÃO DE FORÇA!

Próximo jogo: a sequela deste, também na PS2.

MURRALHÕES DE FORÇA:
 
 

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