30 de janeiro de 2019

.hack INFECTION Part 1

A arte é das poucas coisas boas.
Desenvolvido por: CyberConnect2
Publicado por: Bandai
Designer: Hiroshi Matsuyama
Artista: Yoshiyuki Sadamoto
Argumentista: Kazunori Itō
Compositor: Chikayo Fukuda
Plataforma: PlayStation 2
Lançamento: 20-05-2002 (JP), 11-02-2003 (EUA), 26-03-2004 (EU)
Género(s): Action Role Playing Game
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Media: DVD-ROM (4.7GB)
Funcionalidades: Gravação de progresso no Memory Card (709KB mínimo), Compatível com controlo analógico: apenas joysticks, Compatível com Função de Vibração.
Estado: Completo
Condição: Impecável
Viciómetro: Acabei-o uma vez com cerca de 30-40 horas de jogo. E chega.

(Fun fact: as cobras podem ajudar a prever terramotos.)

Sem autocolantes!
Anime e videojogos andam desde sempre de mãos dadas. E embora só mais recentemente exista uma enchente de jogos do género, a verdade é que eles andam entre nós desde os anos 80, ainda que nessa época e até meados de 2000, poucos eram os jogos localizados e aqueles que tinham essa sorte (ou infortúnio, dependendo do ponto de vista) eram muitas vezes alvo de talhantes não só da língua mas também da cultura, perdendo-se muito no processo. Existem imensos exemplos que podia citar aqui mas este tema por si só pode ser um artigo extenso. Já na era da PS2, muitos jogos baseados em anime foram lançados no ocidente, alguns muito bons, outros somente decentes e claro, uma mão cheia de porcaria. O jogo que apresento aqui hoje, faz parte infelizmente deste último grupo onde a mediocridade é a palavra de ordem. Este meu exemplar foi adquirido ao meu amigo Rogério Lopes, não sei bem quando, numa altura em que decidiu livrar-se de alguns jogos de PS2 que eu recebi com entusiasmo. No caso deste, comprei o pack dos quatro jogos por 20 euros e foi sem dúvida um negócio de amigo pois os jogos valem bastante mais. Todos os jogos trazem um DVD com um episódio de uma das séries.



Manual, disco e DVD.
.hack INFECTION Part 1 faz parte de uma colectânea de jogos que por sua vez fazem parte de um projecto multimédia de nome Project .hack, que se dividiu em séries anime, jogos e manga proporcionando um vasto mundo de personagens e eventos, baseados num jogo online fictício onde as personagens interagem umas com as outras e coisas bem estranhas têm lugar. A história gira em torno deste jogo que se chama The World, onde os jogadores se reúnem para fazerem quests que se resumem a derrotar monstros e recolher loot. No entanto, alguns destes jogadores começam a entrar em coma ao jogarem, com os seus avatares a ficarem corrompidos e cabe-nos a nós descobrir o que anda a provocar tal coisa. Ainda que não seja necessário ver as séries, é aconselhável para se ficar a conhecer as personagens, o seu passado e ter noção daquilo que se passou anteriormente.

Ler mails faz parte da acção.
Graficamente, .hack INFECTION não é um jogo que possa considerar bonito ou mesmo agradável. Embora as personagens estejam bastante boas em termos visuais, com o character design a cargo de Yoshiyuki Sadamoto (conhecido por Neon Genesis Evangelion), a animação parece ter falta de algo o que confere movimentos demasiado rígidos às mesmas. Ainda assim o seu aspecto e pormenorização está muito bom, traduzindo bem aquilo que se pode ver nas séries para o jogo. A acção do jogo corre a 30 frames, sem problemas nenhuns que tenha dado conta. Em termos cénicos, estamos perante um jogo sem inspiração alguma onde os cenários parecem ser todos iguais com variantes nas cores e texturas, mas que no fundo nada acrescentam à variedade. Qualquer local que visitemos vai parecer igual ao anterior, seja no exterior ou dentro das dungeons, que por si só são aborrecidas como tudo. E o mesmo se aplica aos inimigos que rapidamente começam a repetir optando por variantes dos mesmos. E a existência de apenas duas cidades também não ajuda a que as coisas sejam variadas.

Este é grande mas cai depressa.
Na parte sonora, deparamo-nos com uma banda sonora mediana mas que parece saída de outro jogo online qualquer, sem nenhuma faixa a deixar memórias de espécie alguma. E preparem-se para a repetição neste campo pois nos exteriores e dungeons vamos ouvir as mesmas músicas vezes sem conta. Os efeitos sonoros embora competentes não são particularmente agradáveis de se ouvirem, especialmente os sons dos menus. Prima pelo voice-acting, de onde podemos optar entre o diálogo original em Japonês e a dobragem em Inglês portanto é escolherem o vosso veneno.

Nas cidades podemos falar com o pessoal.
Onde .hack INFECTION devia brilhar era na parte jogável mas nem aí consegue fazer-nos sorrir um pouco. O controlo é de fácil aprendizagem e os combates também não são complicados pois são em tempo real mas rapidamente se torna enfadonhos, especialmente quando temos de lutar contra os mesmos inimigos onda após onda. Andar pelo exterior é aborrecido como tudo pois só podemos combater e apanhar certos itens, sendo que o único objectivo é encontrar as dungeons para procedermos. Dentro das dungeons, deparamo-nos com layouts todos eles "quadradões" pois tudo é quadrado ou rectangular, como se tivesse sido desenhado em papel de arquitecto. Não há variedade nenhuma neste aspecto a não ser o facto de ser tudo aleatório e nunca apanharmos a mesma dungeon igual.

Achar chaves é tão aborrecido...
Por outro lado a história obedece a quests que nos são dadas, side quests que podemos ou não completar e ler uma data de e-mails que nos são enviados quando não estamos online. Sim, .hack INFECTION simula um MMO portanto há alturas que fazemos logout somente para estarmos no computador a ler e-mails, a mudar o wallpaper e pouco mais. Se desse para visitar o mundo real talvez fosse melhor mas nem nas séries isso acontece portanto não esperava milagres. O sistema de loot é também muito básico, com equipamento e armas que podem ser adquiridas, encontradas ou trocadas com outros "jogadores" e a nossa party obedece ao mesmo principio de falar com esses mesmos e recrutá-los sendo que por vezes eles podem nem estar online para nos acompanhar na aventura. E claro, podemos controlá-los se assim entendermos, cada um com as suas habilidades pelo que uma party variada ajuda no combate. A dificuldade escala em certas zonas, sobretudo no último boss pelo que algum grinding é necessário (e aborrecido como tudo). O pior para mim neste jogo é o facto de algumas quests nos forçarem a usar chaves de hacking para entrar e essas requerem certos códigos que só alguns inimigos largam, o que nos leva a andar a caçar os mesmos até termos os códigos necessários para progredir na história.

Os exteriores são isto...
.hack INFECTION Part 1 podia ter sido muito bom pois a ideia base é interessante mas a sua execução foi tão mal concebida que nem sei como acabei o jogo e ainda tive coragem de ir derrotar o boss secreto (que até é bem fácil quando se descobre a manha). Ainda assim não fiquei com vontade de jogar os três jogos restantes que aproveitam o save deste mas pode ser que num dia de tédio o faça. Até lá, e apenas por se manter na colecção, este é mais um JOGALHÃO DE FORÇA!

Próximo jogo: uma colectânea de clássicos da Capcom, na PS2.  

MURRALHÕES DE FORÇA:
 
  

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