10 de janeiro de 2019

Yakuza 0

Badasses!
Desenvolvido por: Sega CS1
Publicado por: Sega
Director: Kazuki Hosokawa
Produtor: Mitsuhiro Shimano
Designer: Koji Yoshida
Artista: Saizo Nagai
Argumentista: Masayoshi Yokoyama
Plataforma(s): PlayStation 4, PlayStation 3, PC
Lançamento: 12-03-2015 (JP), 24-01-2017 (Lançamento Mundial)
Género(s): Acção, Aventura
Modos de jogo: Modo história para um jogador
Media: Blu-Ray
Funcionalidades: Instalação obrigatória no disco rígido (23.84GB), Gravação de progresso no disco rígido, Compatível com função de vibração do DualShock4, HD 720p, 1080i, 1080p, Funcionalidades de rede, Suporte Remote Play com PSVita
Outros nomes:  Ryu ga Gotoku 0 - Chikai no Basho (JP)
Estado: Completo
Condição: Impecável 
Viciómetro: Acabei-o uma vez, com mais de 100 horas de jogo.

(E continua frio, porra!)

Aqueles autocolantes feios...
O meu percurso com a saga Yakuza começou de uma forma um pouco estranha. Sempre me incentivaram a jogar esta saga desde cedo, ainda nos tempos da PS2, pelo que na época tinha as minhas reservas devido ao simples facto de ser um jogo que se passa no Japão e tinha o áudio em inglês sem opção de ouvir o original. Isto na minha cabeça é o anti-cristo, é blasfémia e como tal, sempre me recusei a pegar na série por isso. Eu sei, para muitos de vós é um motivo estúpido, inválido até, mas para mim faz todo o sentido. Entretanto sai o segundo jogo, agora com o áudio original em Japonês mas começar no 2 não iria ser boa aposta. Deixei passar. Uns anos mais tarde, sai o 3 e passou-me ao lado. Sai o 4, e ao lado me passou. Foi preciso sair um spin-off deste último, com zombies para eu ficar curioso e finalmente pegar nesta série. Sim, este motivo é igualmente estúpido e inválido mas foi assim que me iniciei nesta excelente saga. E a seguir peguei no 3 porque foi o único que comprei entretanto. Podem ler essas análises após terminarem esta. O jogo que apresento aqui hoje, é o início de tudo e, a meu ver, será um óptimo começo para quem desconhece a série e quer começar por algum lado. Este exemplar foi-me oferecido por um familiar próximo algures em Julho de 2017.


Papelito e disco.
Yakuza 0, tal como o nome sugere, leva-nos aos primórdios de toda a saga, mais concretamente a 1988 onde vamos poder vislumbrar o "início de carreira" do nosso tão carismático Kazuma Kiryu que se encontra em apuros ao ser acusado de um crime que não cometeu no sítio conhecido por Empty Lot, e que mais tarde se vai revelar num ponto de atracção nesta saga. E a história vai girar toda em torno deste pedaço de terreno, provocando todo o género de repercussões ao longo da história. Vamos também ficar conhecer um pouco mais do percurso de vida do tão genial e psicótico Goro Majima, bem como da sua personalidade carismática.

A atenção ao detalhe é impressionante.
A parte visual de Yakuza 0 é uma delícia. Digo isto porque a atenção ao detalhe é extrema, algo comum mesmo aos jogos anteriores e suas limitações técnicas, e vamos poder apreciar um pouco de como as coisas realmente são na outra parte do globo. Andar pelas ruas de Kamurocho e Sotenbori é uma experiência única, onde vamos parar imensas vezes para apreciar a riqueza de pormenores e vida que ali existe, seja para ver as lojas e sítios de entretenimento bem como a arquitectura da cidade em geral, com ruas longas e becos sinuosos. Se nos abstrairmos um pouco dos objectivos, temos muito para explorar e apreciar ao longo do jogo. O detalhe e animação das personagens é também impressionante, dando gosto ver tudo em movimento, sobretudo em combate, onde a fluidez impera e tudo corre a 60 frames sem solavancos que tenha dado conta. A animação facial sempre foi um ponto forte nesta saga e aqui não se fica atrás de jogos anteriores. Contudo, personagens como NPC's sem relevância alguma não contam com o mesmo tratamento mas ainda assim nada sobressai como sendo estranho ao conjunto.

Este nosso amigo é caricato... no mínimo.
O voice-acting em Yakuza 0 é um verdadeiro luxo. Os diálogos vão desde o ridículo ao extremamente sério, com imensos para serem ouvidos mas a performance é exímia e dá gosto ouvir. Seja o Kazuma ou o Majima a falar, as vozes são tão carismáticas que é impossível não se gostar deles. Não só estes dois mas no geral todas as personagens mais relevantes contam com vozes à altura, sendo que uma delas era a actriz que fazia de Bulma em Dragon Ball, entretanto falecida. O som no geral é óptimo, com um ambiente fenomenal que nos remete imediatamente para uma cidade que fervilha de vida e actividade, onde até podemos ouvir os diálogos de desconhecidos enquanto andamos de um lado para o outro. A banda sonora, opta por ser dinâmica, com faixas a contrastar com as cenas de acção ou história e som ambiente durante o resto. Claro que temos faixas específicas para actividades como o karaoke e estas são um mimo de serem ouvidas. Especialmente quando é o Majima a cantar...

TAU! Mesmo na BOCHECHA!!
Yakuza 0 mantém um pouco a fórmula usada anteriormente, mantendo assim a jogabilidade muito semelhante à dos jogos anteriores mas como seria de esperar melhoraram o sistema no geral e introduziram novidades. O combate é agora mais fluído e o tempo de loading é também reduzido sendo praticamente instantâneo, sendo que tanto Kazuma como Majima têm agora três estilos de luta cada um (mais um secreto cada), que podem mudar on-the-fly tornando o dinamismo das lutas muito superior a qualquer outro jogo da saga. E claro, podemos usar armas e objectos que estejam no cenário para nossa vantagem, incluindo ainda alguns locais com animações específicas que são uma maravilha de se ser visto. Experimentem lutar ao pé de um carro estacionado, vão gostar da experiência. Por outro lado, estes combates recompensa-nos com dinheiro, sendo que este pode ser utilizado não só para comprar itens, refeições, entretenimento e afins, mas também aumentar as skill trees de cada um dos estilos de combate. Deixou de haver experiência, o dinheiro neste jogo compra literalmente tudo!

As crianças conseguem ser cruéis...
E há muitas maneiras de fazer dinheiro. Seja a combater ou a apostar nos casinos ilegais, Yakuza 0 proporciona ainda outras actividades legais e ilegais de conseguir o vil metal. Uma delas é o ramo imobiliário, onde Kazuma pode agarrar as rédeas do negócio e comprar imóveis, tendo que depois meter pessoal qualificado a gerir os mesmos, bem como providenciar protecção aos mesmos pois os rivais são impiedosos. Este pessoal é conseguido de várias formas diferentes, seja através de uma mera conversa na rua ou a completar side quests e assim recrutar os mesmos. Um deles é provavelmente o melhor gestor do ramo imobiliário de sempre, e nem sequer sabe falar ou tem braços! Mais não digo. Já Majima tem acesso a um gentleman's club onde pode gerir o negócio das hostesses, tendo também de as recrutar de variadas formas. E aqui, atenção, não vamos apenas querer mulheres novinhas, modelos e afins, as donas de casa e até idosas vão revelar-se verdadeiros fenómenos! Confesso que perdi noção das horas que levei de volta deste mini-jogo de tão bom que é.

Bom... sem comentários.
Outra das formas de ganhar dinheiro é mesmo em torneios de pancadaria, num ambiente underground, ou então a desafiar os brawlers da zona, que se forem derrotados nos recompensam com uns largos milhões de ienes assim do nada. Se formos derrotados, também perdemos à grande. Outros negócios incluem ainda contratar mercenários para andarem pelo globo à procura de recursos que nos permitem criar armas e itens novos. Para além da história, existem imensas side quests que podemos fazer, algumas incrivelmente bizarras, outras bastante divertidas e algumas até um pouco monótonas. Imaginem que existe um tipo que anda de cuecas pela rua e o seu passatempo é andar a ver vídeos para adultos em lojas da especialidade (porque a sua libido é maior que o mundo), na procura pelo melhor vídeo de sempre, que se vai revelar numa caça ao tesouro para nós. Sim, eles convence-nos a fazer o mesmo. E isto é apenas uma pequena amostra. Das diversas actividades que podemos desfrutar temos as arcadas com versões reais de OutRun, Super Hang-On, Space Harrier e Fantasy Zone, bares onde podemos jogar snooker e setas (e até jogar e apostar contra outras personagens), um casino ilegal, bowling, baseball, corridas de carrinhos telecomandados (outro mini-jogo viciante), mahjong, shogi e outros tantos jogos japoneses igualmente complexos.

O melhor negócio de sempre!
Curiosamente, a localização deste jogo demorou ano e meio devido à quantidade astronómica de texto existente, duas vezes superior a um RPG convencional e foi levada a cabo pela Atlus USA. Deu-se também a devida atenção a pormenores como as regras dos jogos tradicionais que, aos olhos de um jogador ocidental, não fazem sentido nenhum se não forem meticulosamente explicados. Estas podem ser lidas enquanto se joga para assim se conseguir entrar no conceito de cada jogo.

Um homem a sério sabe de whisky...
Yakuza 0 é sem dúvida um excelente título e uma óptima entrada na série que já conta com uma mão cheia de títulos. É daqueles jogos que são uma experiência única em vários níveis e que certamente vos vai deixar não só agarrados durante algum tempo como também tornar-vos fãs da saga. Eu fiquei fã com o spin-off portanto quer dizer alguma coisa. Agora resta ter tempo para pegar nos restantes (só me falta o 4 e 5, espero que lancem esses em formato físico na PS4 aqui pelas nossas bandas) e até lá, este é indubitavelmente um JOGALHÃO DE FORÇA!

Próximo jogo: um metroidvania indie na PS4.

MURRALHÕES DE FORÇA: 
 

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